sexta-feira, 12 de abril de 2013

Caixa da Memória

E daí você olha para trás e sua vida inteira cabe em uma caixa.

Todas as dúvidas.

Todos os medos.

Todo o amor e experiências.

É como adentrar uma sala que era proibida quando você ainda fazia parte da infância.

Não é assombrada.

Não é assustadora.

É só uma sala cheia de coisa velha. E a vida também não é?

Um lugar apertado com as luzes acesas.

Ficar velho é como ler um livro... O mistério das páginas futuras desaparece enquanto você avança para o final.

Vai funcionar?

Ele vai ligar?

Vai chover?

Essas já nem são mais perguntas. São todas uma afirmação do tempo nessa infinita linha da existência (de algo ou qualquer coisa).

Adolescência


E eu me deparei com uma carta dela hoje. Certamente não falava sobre mim, mas me caiu tão bem que foi desconfortável.

Falava sobre brilho nos olhos, frieza e falta de coração. Como doeu.

Era uma menina brilhante, embora nunca tenha se dado conta de tal fato. Era desengonçada, envergonhada e tinha dificuldade em se relacionar. Vivia perdida em pensamentos, em planos e podia mudar todo o mundo da noite para o dia.

Era forte e era determinada. Tinha tanta coerência nas palavras quanto um ditador em plano de guerra. O caminho para onde ia era absurdamente claro, não pavimentado, mas não havia dúvidas de que chegaria onde queria.

Garanto que ela não imaginou que as coisas seriam assim, que a frieza e a acomodação que tiraram seu sono por tantas e tantas noites iriam se alastrar de tal forma a queimar todo o trigo e fechar o céu. Que os quilômetros aumentariam tão rápido quanto os anos que se passaram.

Eu me pergunto para onde ela foi. Espero que esteja bem longe daqui, em algum lugar real.

Foi o que ela sempre quis.