sexta-feira, 12 de abril de 2013

Caixa da Memória

E daí você olha para trás e sua vida inteira cabe em uma caixa.

Todas as dúvidas.

Todos os medos.

Todo o amor e experiências.

É como adentrar uma sala que era proibida quando você ainda fazia parte da infância.

Não é assombrada.

Não é assustadora.

É só uma sala cheia de coisa velha. E a vida também não é?

Um lugar apertado com as luzes acesas.

Ficar velho é como ler um livro... O mistério das páginas futuras desaparece enquanto você avança para o final.

Vai funcionar?

Ele vai ligar?

Vai chover?

Essas já nem são mais perguntas. São todas uma afirmação do tempo nessa infinita linha da existência (de algo ou qualquer coisa).

Adolescência


E eu me deparei com uma carta dela hoje. Certamente não falava sobre mim, mas me caiu tão bem que foi desconfortável.

Falava sobre brilho nos olhos, frieza e falta de coração. Como doeu.

Era uma menina brilhante, embora nunca tenha se dado conta de tal fato. Era desengonçada, envergonhada e tinha dificuldade em se relacionar. Vivia perdida em pensamentos, em planos e podia mudar todo o mundo da noite para o dia.

Era forte e era determinada. Tinha tanta coerência nas palavras quanto um ditador em plano de guerra. O caminho para onde ia era absurdamente claro, não pavimentado, mas não havia dúvidas de que chegaria onde queria.

Garanto que ela não imaginou que as coisas seriam assim, que a frieza e a acomodação que tiraram seu sono por tantas e tantas noites iriam se alastrar de tal forma a queimar todo o trigo e fechar o céu. Que os quilômetros aumentariam tão rápido quanto os anos que se passaram.

Eu me pergunto para onde ela foi. Espero que esteja bem longe daqui, em algum lugar real.

Foi o que ela sempre quis.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Bocejo

E as nuvens choraram suas cores.

Empalideceram e agrisalharam.

Como sangue que deixa um corpo.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Para Liesel, com amor.

Chegou aqui numa caixinha de fósforo. Dormiu no vestido. Se deixou levar.

Veio de longe, ou de perto, ou de nenhum lugar.

Veio só me procurar.

Veste um terno permanente. Olhos verdes, inocentes. Tudo só faz assustar.

É um amor diferente, arredio e verdadeiro. É maior que o mundo inteiro, mas no meu colo vem ninar.

Bigodes na menina, nariz de gelatina, minha esmeralda vem dormir.

Mas quando a manhã chega, me acorda com carícias, me recorda de sorrir.

E qualquer um vai fazer minha garota se esconder. Precisa de atenção, para ver seu coração.

Eu entendo tua afeição, com um beijo de nariz. E o que era maldição, é o que me faz feliz.