terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Plunct, Plact, Zum!

E não parte o ano para lugar algum. Não manda recado, não se despede. Só escorrega de levinho para fora do calendário, como a última gotinha de água na garrafa.

Plástico e noite

Não era lobo, não era nada.
Era um homem morto de fome.

Receita de Ano Novo

"Para ganhar um Ano Novo
 que mereça este nome,
 você, meu caro, tem de merecê-lo,
 tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
 mas tente, experimente, consciente.
 É dentro de você que o Ano Novo
 cochila e espera desde sempre."

[Carlos Drummond de Andrade]

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Aos bons amigos

Que nossas almas não envelheçam na mesma velocidade dos nossos corpos.
Que a juventude não apodreça com o passar dos anos.
Que não se escondam atrás de rugas nossos sonhos.
Que o tempo nos permita viver sem pressa do que não se acaba.
Que seja eterna nossa vontade.
E infinita a nossa inquietação.
Porque agraciados fomos com uma mente que nunca há de dormir.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Sonda

E vai-se embora pelo espaço, como notas musicais dissipam-se no ar. Sempre tende a desfragmentar-se, como uma espaçonave que rompe a atmosfera.

Desacelera e gravita.

Navega silenciosamente no frio. No vácuo. Na mente.

Quem sabe se vá para voltar.

Quem sabe para nunca mais.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

"Elvis is great"


Foi como comprar um produto de altíssimo valor e ter pena de tocar, de tirar os plásticos de proteção. É uma mistura de tequila e suco de morango. É como não acreditar que realmente é.

"Lá estava ele, como torta dupla de cereja."

Pega pela boca, como um anzol ao peixe, como o batom à pele. E é alto, como o hino do fim dos dias de cão. E diz que o amor é usável. Ri da espera sem fim. Não entende a sobriedade.

E no fundo nunca fez isso por ninguém. E sabe que ninguém nunca o fez por ele, também.

Não entende direito. Não sabe o que esperar. Desconhece o sentimento de interesse por alguém tão próximo.

É um trem sem bilhete. Sem marcação. Sem direção.

Que diabos eu bebi naquela noite?

domingo, 19 de agosto de 2012

Flutua

Parou no tempo mais uma vez. De um jeito diferente, porém. Um porém que já dura um mês. Trinta dias de invalidez e falta de contribuição para o Estado. Uma falta de resposta para o quesito 'ocupação'.

É sempre um momento de gastura e gastança. De contentamento e contensão.

Dá de crescer, também. Dá de girar o leme pra um novo norte.

Quantos nortes. Quanta interrogação.

Um break. Um boom.

Acorda cedo amanhã, menina, já chega de brincar de casinha.

sábado, 5 de maio de 2012

Gordura mórbida

A cidade se iluminou quando surgiu na mente uma ideia santa.

E chorou por mim como choram as nuvens.

Metamorphosis


São borboletas os pensamentos de um morto. Ora este tivesse o desfrute da oportunidade de apodrecer sem ser escondido. Sem ser enterrado em uma caixa. Tal qual tesouro pirata de enorme valor.

Frutos da evolução de vermes que trabalharam semanas a finco. Que adentraram seus olhos. Adentraram seus ouvidos e invadiram sua boca. Se esfregaram no cérebro, que repousa na gaiola como um pássaro doente e calado.

Luzes de Natal apagadas por conveniência do tempo.

Comem cada partícula, absorvem e crescem por conhecimento.

Libertam-se. Silenciam-se.

Finalmente e infinitamente.