segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Viando

Era estranho que preferisse olhar para o céu estrelado a conversar com alguma outra pessoa naquela festa. É fácil de se perder em pensamentos como os dela. Bastam segundos e ela já sumiu. Tudo o que é possível ver a sua frente é uma casca aeróbia.

Ela te aponta o Cruzeiro do Sul e te conta sobre sua vida de carretel. Ela tem cabelos de serpentina e esquece que hoje é Domingo. Amanhã não trabalha, mas não consegue se divertir quando a música está alta assim. Te pergunta sobre a tua camiseta e some de novo. Ela conta os batimentos cardíacos quando toca os dedos no pulso ou na lateral do pescoço.

De repente se sente sozinha. Se dissipa mais uma vez e começa a perguntar por que insiste em se colocar em situações como aquela. Olha em volta, comenta mentalmente sobre uma pessoa ou duas. Não consegue entender muita coisa do que acontece ali.

Sempre fica confusa durante suas doses de realidade.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Coleira no Lixo

Eu acredito que eu sou capaz de conseguir tudo o que eu quero. Pela primeira vez. Sempre me achei uma pessoa enfiada numa cidade que não conseguia entender o jeito que minhas ideias nasceram pra correr, mas agora eu entendo e sei o que fazer.

Acredito que passei os últimos oito meses matando quem eu era e tentando me usar como cobaia para coisas que não eram eu. Nem ao menos eram o que eu gostava, ou já gostei. Era uma tentativa de fazer outra pessoa ser parte de mim.

A Física diz que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço, então eu comecei a me moldar, já que não podia ser duas. Me desmantelei em uma pessoa fraca e dependente. Uma pessoa que eu não conhecia e que, provavelmente, levaria um soco na boca de quem eu realmente sou.

Não nasci para ser engaiolada, enraizada ou acorrentada. Meus amigos dizem que eu tenho o espírito muito livre para usar uma coleira. Decidi voltar para a estaca zero.

Eu sou uma pessoa em reconstrução, não em restauração. Não quero ser igual ao que eu era.

À esse ano que passou, eu agradeço por todos os momentos, bons e ruins, pois eles me trouxeram até aqui e me fizeram alguém melhor do que um dia eu fui, mas me alegra saber que ano passado nunca mais vai voltar.