domingo, 7 de novembro de 2010

Margaridas

O amor iluminado que trazem no peito desfalece, como um corpo dentro de um caixão no meio de um funeral. Morto, mas presente. Uma casca apodrecida do que sobrou de todas as maçãs polidas.

Talvez como as maçãs o amor também tenha um prazo de validade. O que foi o sopro que apagou as velas, uma a uma, piedosamente me cedendo um cálido par delas para que me derretessem os dedos de cera e me trouxessem a dor imensa de um óbito sem causa?

Morre assim, não como flores sem água, mas como flores regadas demais. Talvez a culpa seja minha, por ter tanto medo de me dar, depois tanto medo de deixar se perder.

Construiu meus sonhos como prédios sem janelas. Comidos pelo vento de fora a fora. Um quarto vazio que ecoa minha própria voz sem compreender uma única palavra.

Eu não entendo.

Eu não entendi.

Um comentário:

alfacinha disse...

escrito lindo , tenho ciumes