sábado, 2 de outubro de 2010

Exposição Solar

Ele queima. Queima como o verão passado. O que é isso? O que é isso no meu peito? Como pode influência ser tão devastadora? Eu não consigo mais entender.

Dei alento a cobrir a pele por inteiro e evitar queimaduras. Eu me esforcei para manter tudo funcionando como o combinado. Mas para ele não foi suficiente. Ele queimou não só minha pele, mas meus músculos, vísceras e até meus ossos transformou em pó. Quanto mais perto, mais fervilhante são seus olhos. E como dói.

Os meus tornam-se constantemente encharcados pela dor da perda. O tempo inteiro. Porque o solo que eu ando agora é árido. Meu coração é deserto. Eu já não valho mais a poeira que esse chão levanta. Eu já não valho mais a cama que eu durmo ou o sanduíche que foi pro lixo. Eu já não valho mais porra nenhuma. Nem mesmo um ombro aquecido ao rubro.

Não tem mais volta. Forever and a day fora da minha vida.

Como me escalda as entranhas dizer isso. As palavras parecem imundas e baratas, como aço comprado a prata. Nem me pertenço mais. Como ser metamórfico e chamuscado, vou caminhando como vim ao mundo, não nua, mas só, como acostumei a estar.

Ele é o menino de ferro incandescente quem eu nunca pude tocar. Embraseado com seu jeito impiedoso de julgar, ofender e injuriar. Crestando e apontando cada erro meu como se possuísse a verdade absoluta dentro de seu peito de aço escovado.

Olhos queimados não vêem bem. Olhos em chamas falam mais do que deviam.

A vida continua, ainda que ele não.

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