A decepção tem um gosto salgado, como o oceano. Muralha estratégica e geologicamente colocada entre dois pares de olhos tão distintos, tão anônimos quanto as digitais que aqui lhe escrevem.
Tem estado ocupada perdendo a identidade. Perdendo a noção do real e se misturando na multidão. Se tornando o que seu espírito sempre se recusou a ser: comum. Tão comum a ponto de se tornar Invisível.
O Invisível é comum. Amor, saudade, tristeza, infravermelho. Uma vez sentido, é irresistível voltar. Irresistível como a parede de sorvete, que escorre até secar e se tornar imóvel. Amargo como o Atlântico. Índico. Completamente Pacífico. É uma droga. Veneno. O não-visível te traz de volta para onde tudo começou: no vazio. Pó.
Não quer que olhem pela janela e não vejam mais nada quando ela passa na rua. Não quer ser a sombra que as pessoas que vê usam como uniformes incolores. Não quer mais mudar.
"Tu mudou".
E talvez até seja uma idiota por se deixar controlar. E talvez seja uma hipócrita por deixar partir. Mas certamente é uma perdedora por se deixar desaparecer.
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