
A vida não é breve. Nem breve são os dias. O que é possível de se fazer em 24 horas além de comer, dormir, estudar ou trabalhar, talvez ambos e, dependendo do momento, se divertir um pouco? O que é possível de se fazer em 613.200 horas além de comer, dormir, estudar ou trabalhar, talvez ambos e, dependendo do momento, se divertir um pouco? Isso são 70 anos, meu amigo.
A velha frase com letras amareladas e corroídas pelo tempo diz que se deve aproveitar cada dia como se fosse o último. Como se aproveita o último dia? Quando esse dia chega? Quem sabe não pode contar, ainda que gritasse de sete palmos abaixo da terra, pela falta de ar, de cordas vocais, lábios e consciência, que é a base da vida, na minha opinião.
As pessoas que perdem a lucidez dançam o tempo inteiro dentro de suas mentes, vivendo em uma realidade alternativa que ninguém é capaz de entrar sendo quem realmente é, apenas se desfigurando ou transfigurando em alguma coisa irreal. O tempo é irreal. Então como aproveitar cada dia como se fosse o último, quando o tempo é uma noção errônea da realidade baseada no tempo biológico de um ser humano?
Carpedienar é fazer o que dá na telha e achar o máximo, mas existe uma outra coisa chamada rotina, que é o antônimo de Carpe Diem. Nós todos temos regras a seguir, horários a cumprir e decisões a tomar. Não há frase em latim que possa eliminar todo e qualquer compromisso que tenhamos ao longo da nossa corrida durante as horas de vida.
Eu não estou querendo ser pessimista aqui, nem moralista ou destruidora de sonhos, eu deixo isso para as Igrejas, só estou querendo deixar claro de que não existe o breve, cada minuto é uma eternidade, dependendo das decisões tomadas.
E quanto à lucidez, talvez o essencial seja perder a sanidade enquanto a areia escorre, aos poucos. Relembrar a juventude ou reamá-la? Essa é a diferença entre marchar e dançar para a cova.
1 murder(s):
O tempo é estranho ao mesmo tempo que é velho conhecido.
gostei, gostei!!!
bjs!
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