quarta-feira, 21 de abril de 2010

La Danse Macabre

A vida não é breve. Nem breve são os dias. O que é possível de se fazer em 24 horas além de comer, dormir, estudar ou trabalhar, talvez ambos e, dependendo do momento, se divertir um pouco? O que é possível de se fazer em 613.200 horas além de comer, dormir, estudar ou trabalhar, talvez ambos e, dependendo do momento, se divertir um pouco? Isso são 70 anos, meu amigo.

A velha frase com letras amareladas e corroídas pelo tempo diz que se deve aproveitar cada dia como se fosse o último. Como se aproveita o último dia? Quando esse dia chega? Quem sabe não pode contar, ainda que gritasse de sete palmos abaixo da terra, pela falta de ar, de cordas vocais, lábios e consciência, que é a base da vida, na minha opinião.

As pessoas que perdem a lucidez dançam o tempo inteiro dentro de suas mentes, vivendo em uma realidade alternativa que ninguém é capaz de entrar sendo quem realmente é, apenas se desfigurando ou transfigurando em alguma coisa irreal. O tempo é irreal. Então como aproveitar cada dia como se fosse o último, quando o tempo é uma noção errônea da realidade baseada no tempo biológico de um ser humano?

Carpedienar é fazer o que dá na telha e achar o máximo, mas existe uma outra coisa chamada rotina, que é o antônimo de Carpe Diem. Nós todos temos regras a seguir, horários a cumprir e decisões a tomar. Não há frase em latim que possa eliminar todo e qualquer compromisso que tenhamos ao longo da nossa corrida durante as horas de vida.

Eu não estou querendo ser pessimista aqui, nem moralista ou destruidora de sonhos, eu deixo isso para as Igrejas, só estou querendo deixar claro de que não existe o breve, cada minuto é uma eternidade, dependendo das decisões tomadas.

E quanto à lucidez, talvez o essencial seja perder a sanidade enquanto a areia escorre, aos poucos. Relembrar a juventude ou reamá-la? Essa é a diferença entre marchar e dançar para a cova.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Momentos Felizes

Possuem uma aura da cor do ouro. Não é à toa que os idosos os chamam de "tempos dourados".

Boreal

Eu volto para casa, como eu sempre faço. Me sinto cansada, me sinto bem. Costumo ver como as pessoas ainda são boas nesse mundo quando eu ligo a televisão e vejo deslizamentos de terra feito cascatas e terremotos terríveis, que sacodem até as pessoas do outro lado do mundo (mesmo que emocionalmente apenas). As pessoas são bondosas nos ônibus também: elas cedem seus lugares, seguram bolsas e pastas e, incrivelmente, ainda pedem licença.

Eu volto para casa, volto para os meus costumes antigos, reformo-os e transformo-os em coisas boas, tão boas a ponto de dizerem obrigada e com licença, como as pessoas nos ônibus. Eu me sinto melhor de um jeito sintético, melhor que antes, me sinto no trem certo, na direção em que eu deveria estar seguindo o tempo inteiro.

Quando a guerra acabou e finalmente consegui pular o muro, eu desfiz os nós e soltei as algemas, só para me algemar em algo ainda mais pesado, que me exige mais responsabilidade e que me faz crescer mentalmente numa velocidade absurda e maravilhosa.

Eu volto para casa todos os dias. No sentido literal e no abstrato. Acho o caminho certo sete dias por semana, acho o lugar que eu chamo de lar, ainda que com o pensamento longe daqui.

Comecei a construir um navio novo que vai me levar muito mais longe do que minha jangada jamais pensaria em ir.

Comecei a construir um navio novo. E dessa vez para buscar um tesouro maior.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Lunático

- Tu achas que nós somos loucos?
- Achas que somos sãos?
- Não.
- Não.

Chuva de Outono

Continue derramando tua chuva sobre o meu telhado e quem sabe eu possa adormecer para sonhar com coisas boas essa noite.