quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Podando Galhos

Às vezes eu tenho medo de que eu sonhe demais. Que eu espere muito de mim mesma. Das pessoas. Do mundo. Coisas que pareciam tão perto, mas não estão. Nem um pouco.

A coisa mais triste que eu percebi ultimamente, é que tudo o que eu tenho é um bolso cheio de planos. Só isso. Já notei algumas raízes minúsculas crescendo embaixo dos meus pés, me prendendo nesse chão que, naturalmente, faz isso. Ele puxa, ele arrasta as pessoas. E elas aceitam, se acostumam e ficam. Para sempre.

Não é frustrante quando tu realizas o quão pequenino tu és, comparado aos teus sonhos? Não dói quando as raízes se enterram cada vez mais na carne e no solo cotidiano? Não é vergonhoso notar que os teus planos, antes tão distantes, começam a se emaranhar entre os tubérculos nas tuas solas, te fazendo querer ficar?

Não quero me tornar uma árvore, igual a tantas quais me recusei a escalar, temendo que a doença 'do fico' fosse contagiosa. Não quero que os meus planos fiquem no alto dos galhos, que se tornaram altos demais para serem alcançados. Não quero que as pessoas tenham medo de pegar a minha doença do 'partindo'. Partiriam os galhos se soubessem o quão bom é não ter raízes. Partiriam as estações e não levariam folha alguma, pois estas seriam constantes planos em aperfeiçoamento, uma reforçada ideia de um sonho. Não quero virar a Figueira. Não quero ser ponto turístico.

Preciso de um machado que corte essas raízes enquanto ainda são pequenas. Antes que as estações mudem e eu me enterre cada vez mais no solo seco. Antes que eu me torne excessivamente alta para que alguém queira se aproximar de mim e escalar meus galhos, buscando saber dos meus planos, já ressecados e amarelecidos, pendurados na ponta deles.

3 comentários:

Carmen disse...

Quem sabe juntos poderemos comprar este tão sonhado "machado" para que possas parir. Afinal, os pássaros crescem, batem asas, aprendem a voar e também a sair do ninho. Sonhos são para ser realizados e não deixados em papel ou gavetas. Vai em busca do que e realize e te faça uma pessoa muito FELIZ. Conta comigo!!!

Beijos

seniora disse...

Como é bom voar! experimente. Assim, as raízes não existem e não é preciso podar nem ramos, nem galhos.
Tudo está dentro de si. Criar raízes ou voar, mesmo parada, no silêncio da sua meditação, da sua pesquisa, do seu estudo. Viajar quilómetros ou viajar sem sair de casa, tudo é possível. Optar e amadurecer é caminho duro e possível.

NATHALIA CARDOSO disse...

Nossa, haha tá ai um texto que eu gostaria de ter escrito.
Me identifiquei muito em um dos paragrafos, e em um só, vc já diz td *-*
Escreve mt bem, parabens.

de uma visitinha no meu: http://nathscardoso.blogspot.com/