quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Estrada Esburacada

Nunca existiram tantas mudanças repentinas por aqui. O carro que levava todas as pessoas ao redor parecia andar por um asfalto extremamente perfeito, sem nem ao menos pedras. Era o mesmo carro em que eu estava, mas eu era arremessada de um lado para outro, brutalmente. Não me lembro de uma estrada tão sinuosa ou de um céu tão claro ao longo desses 17 mil quilômetros rodados.

A indiferença vinha costurando outra vez. Indiferença absurda a tudo e todos. Adiante, o sol brilhava no meio do nada. Nada de planos que agora eu tenho. Uma amiga me contou, outro dia, que pegou uma neblina intensa e que não sabia o que a curva seguinte a reservava. Eu então listei desejos distantes, mantendo minhas mãos no volante, quando na verdade não sei nem dirigir. É como se o mapa tivesse voado janela afora e o acelerador estivesse colado ao chão do carro, me impossibilitando de decidir qualquer coisa, principalmente a direção ou o destino.

Nunca gostei de regras, nunca fui fã de recomendações, mas agora que não as tenho, percebo quão difícil é pavimentar a própria estrada para que o fluxo flua e tu consigas pegar algum rumo preciso.

Os postos de gasolina estão fechados, não que eu precise de combustível, mas isso me impede de pedir qualquer informação. Perdi os sentimentos quando sentei no banco do condutor. Mais valia ter pego um trem.

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