segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Estratégia de Combate

Os soldados se reuniram mais uma vez. Eram dezessete, depois que mais um se juntou ao exército depois da primeira quinzena do mês. Ainda eram poucos e exaustos, quase se arrastando novamente. A batalha não estava ganha ainda. Faltavam mais uns vários metros e ainda mais três fortes a derrubar.

Não chovia, mas o calor era exaustivo. Misturado com a poeira laranja que levantava do chão e o céu azul acinzentado, a silhueta da débil multidão aparecia marchando lentamente. Muitos sem armas, outros sem munição, quase todos sem os dedos, impossibilitados de escrever uma carta às suas famílias apenas para avisar que estavam bem.

Os outros exércitos pareciam tão poderosos.

Ouviu-se um grito que ditava o compasso e a direção a seguir. Ainda que olhassem em volta, ninguém ali poderia dizer de onde exatamente a voz vinha, apenas ouviam. Obedeciam. Aos que caíssem, a voz esbravejava para que se pusessem de pé e caminhassem, aos que sentassem, ordenava que crescessem e agissem como soldados de verdade, aos que chorassem, dizia que militar sob sua regência não tinha direito a lágrimas. Todos eram deviam chegar lá, não havia volta, não havia escolha.

Um dos soldados levantou os braços aos céus e implorou à voz que o deixasse ali para morrer, pois as pernas não conseguiam mais responder à sua necessidade de caminhar. Os pés com bolhas, as mãos sem dedos. Os olhos vertiam lágrimas escuras devido à sujeira em seu rosto. Um silêncio deitou-se sobre o campo vazio de batalha e assim ficou por alguns segundos. Subtamente a voz que mantinha tudo em movimento bradou de uma maneira que fez os soldados todos virem ao chão violentamente: para mim, que olho daqui, todo o seu trajeto é apenas um passo que eu preciso dar, ainda assim eu os protejo durante todo o caminho, porque eu preciso que alguém veja também, o que daqui eu já posso ver.



'O sol nunca brilha em portas fechadas, marujo'

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Adeus, Au Revoir, Arrivederci e Farewell.

É o último. O último de muitos, muitos mesmo. Não compareci em metade deles, talvez um pouco menos. As paredes me viram crescer, me viram mudar, me tornar mais estranha e parecida com os outros a cada novo. É sempre novo.

A mochila nem cabe mais como adereço, uma vez que a pasta substituiu as alças, que minhas costas fizeram questão de recusar. Os livros se dividiram em vários, pequeninos. Ah, os pequeninos... Embora me assustem não creio que possa ter havido uma época tão fantasiosa na minha cabeça. Em todas as cabeças, de todas as minhas múltiplas personalidades ao longo dos anos.

Acabou assim: acabando lentamente a cada segundo que se arrastou. Eu me arrastei. Para a colorida, ainda que envelhecida, linha de chegada, que há muito espera por mim. E eu finalmente cheguei.

Terminou. E a Ilha nunca foi tão grande assim.