terça-feira, 1 de setembro de 2009

Fale Sobre o Nada

É incrível como as vezes o nada é a única coisa por aqui. O nada de estudo, nada de comida, nada de fome, nada de sono, nada de felicidade ou de tristeza, o nada de sentimento, o nada de nada.

E por ser nada talvez o nada seja tudo. Aquela pessoa que não tem nada a ver contigo, mas que tu gostas de forma incomensurável. Ou aquele dia que não tinha nada de especial, mas que te fazia um bem inacreditável. Ou a bebida que te deixou doido mesmo com nada de álcool. O nada é ridículo.

O nada também serve para negar um sentimento explícito, como quando tu estás visivelmente abalado e se te perguntam qual é o problema, tu respondes 'nada', quase que automaticamente, tentando despistar qualquer sinal de fraqueza gritante que o teu olhar condene.

O nada não é o vazio. O nada não sobra, não cabe, não delimita, nem demonstra. O nada, nada mais é do que a junção de tudo que se esconde, em uma única e curta palavra que nasce e morre em quatro letras que te privam do que pode ser.

O nada não é a escuridão, uma vez que o preto é a ausência das cores, nem o branco, que abrange todas as colorações possíveis. O nada é uma escala de cinza. E por ser cinza, é melancólico. O cinza da cidade durante a chuva ou neblina, das cinzas pós chama, a cor do que era e deixou de ser. O nada é desbotado.

O nada é nulo, é a insignificância de alguma coisa diante de outra. O nada é, nada mais, nada menos, que eu e tu junto com aquilo que nós carregávamos no peito. É a nossa história e a importância dela para os livros de história. Ou de ciências. É o lugar nenhum para onde caminhamos por tanto tempo e onde chegamos depois de tentar tanto.

O nada é nada, comparado ao nada que tudo isso se tornou.

Um comentário:

lihh disse...

Eu queria ter escrito esse texto...