quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Doentio

Ele tem os olhos sonolentos de um assassino e o sorriso pretensioso de um psicopata.
Ele é um destruidor de corações. Ele é um centro de abate.
Ele vai te deixar para baixo, te fazer chorar e desaparecer, como tudo o que ele disse sentir.
Ele é um jogador, um enganador.
Ele é um palhaço.
Ele é como uma lâmpada fluorescente que atrai insetos. Ele é um campo magnético.
Ele é engraçado no início mas, como uma piada velha, se torna comum e sem graça.
Ops, tarde demais.
Melhor correr enquanto pode. Nessas ruas tortuosas... nunca se sabe.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Conversa Intramental 4

- Como se fosse grande coisa.
- O quê?
- Ah, tu sabe, essas coisas...
- Não sei, vei, que coisas?
- Nada, nada.
- Fala.
- Não é nada, sério.
- Vai te fuder então.
- Vai tu, vei! Ignorante pra caramba!
- Eu não, tu que começou, só pedi pra ti contar!
- Mas não era nada.
- Então foda-se.
- Foda-se, então.
- E tu nem é uma pirata de verdade.
- Tá, agora foi longe demais, vei.
- Não é mesmo.
- Ridícula.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Praça de Alimentação

Algumas pessoas cheiram bem, outras nem tanto. Umas são religiosas, outras nem acreditam em Deus. Acho incrível como elas deixam detalhes de suas vidas e rotinas transparecerem, mesmo que nós nem as conheçamos. É como quando sentimos que nossos ossos querem estralar, mesmo sem ver isso.

É tudo sobre estilo de vida. Não sei qual é o meu. Também não acho que eu precise de um.

Ocupei uma mesa de seis lugares para sentar sozinha e fiquei pensando em como o mundo é maravilhoso ao som de Iron&Wine. As pessoas parecem puras e o parque de diversões funciona como se fosse em câmera lenta, me fazendo até esquecer do lucro por trás de uns sorrisos em uma volta ou duas nos brinquedos. Sorriso que custa um pouco mais do que meus 16 anos desempregados podem pagar.

Eu me sinto bem. Não encontro nem rastro do sentimento que me derrubou na segunda-feira, talvez só o cansaço. Sem medo das pessoas. Elas não parecem assustadas também. Talvez isso seja crescer, poder focar o caleidoscópio.

Ou talvez eu seja só uma mente amadurecendo mais rápido do que meu corpo pode envelhecer.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Mas Quando Tu Falas em Destruição

"Vida de caleidoscópio: infinitas maneiras diferentes de ver a mesma coisa". Acordei com essa frase na cabeça às 7:15h da manhã. Atrasada de novo. O dia estava edificantemente bonito e era quase impossível ficar de mal humor. Quase.

Ando em uma fase bem estranha, meio revoltada com as coisas, querendo mudar tudo e agora. Para ser honesta, eu possivelmente só estou cansada. Não diria que a roda gigante, que é isso tudo, tá na parte baixa, mas também não posso dizer que está na alta, até porque não consigo enxergar, nem fazer ideia do que vem pela frente. Eu só estou indo. Barquinhos de papel.

- Vês a face da revolução quando olhas para mim?
- Não.
- Bem, deverias.