domingo, 14 de junho de 2009

Expectations

Eu voltei, por completo, finalmente, andava cansada de ser só metade. Tive quatro dias pra pensar na vida, o que fez bastante diferença por aqui, e conseguir colocar as ideias no lugar. Fazia tempo que eu não sentia a mente vazia das preocupações e o peito desamarrado das angústias.

Vim vendo de cima. O verde aveludado da grama contrastando com o cinza quente do asfalto e o céu azulzinho de outono era bonito demais pra ser verdade. Sombras de trens e carros se misturavam com as dos ônibus e pontes quase que suspensas. O sol tava indo embora, eu também.

A cabeça recapitulava tudo que tinha acontecido e o que não tinha também, foi legal e completo apesar de tudo. Conheci pessoas legais, umas mais antigas, outras novinhas em folha. Deu pra tornar as coisas mais pessoais (e isso é muito bom, faz a gente sentir o sangue correndo).

Hamburguer com ovo, duas cervejas fracas, chiclete de laranja, um boneco zumbi, DVD esquecido, pizza de morango com chocolate, vinho, jogo do Brasil, osso congelado, nariz escorrendo, spray de cabelo, cachecol, poltrona 16 e 02, cadarços coloridos, cachorro nervoso, moinho gigante, pôr-do-sol, sem créditos, quinta categoria, sagu com iogurte, suco de laranja com melão, Tieta, cólica, japonês, anão, sabonete de hotel, Shangai Kiss, pastilha, perfume com cheiro de bala, wayfarer, peixes, criança estranha, dinossauro de plástico, chave minúscula, campos de milho, 306.

Acordei em quatro dias. Espero não dormir outra vez por tanto tempo, se perde muito com os olhos fechados sem ao menos se perceber. Voltei a me sentir uma pecinha recém tirada da caixa de quebra-cabeças, aquelas que encaixam perfeitamente. Logo eu, que sempre fui a peça roída e amassada que não fazia par com coisa alguma, cheia dos cantos errados, que não deveriam existir, encaixei certinho no mundo e poderia ficar presa ali pra sempre, num momento ensolarado e pintado de laranja, que durou menos de uma hora, enquanto as pessoas dormiam, não como eu costumava dormir, mas do jeito convencional.

Tu vais ver, tais no topo do mundo outra vez.



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Um comentário:

Carmen disse...

Que bom saber que esta viagem te fez tão bem e que tenhas gostado de tudo e de todos. Beijaooooooo