segunda-feira, 29 de junho de 2009

Ossos de Pirata

- Não, tu tá errada, Juliana!
- Poisé, tenho ouvido isso bastante ultimamente.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

terça-feira, 16 de junho de 2009

WTF

Conheci dois caras uma certa vez. Um deles era um maníaco psicopata, cheio dos homicídios nas costas. Por alguma razão, ele gostava de ruivas, muito mesmo, ao ponto de não querer que elas pertencessem a ninguém. O outro cara tinha um coelho gigante, é meio difícil de acreditar, mas o coelho era tão grande, mas tão grande, que dava pra montar em cima dele igual a um cavalo. Ele tinha uma cela azul e se chamava Hooligans. Por que? Eu não faço ideia.

O psicopata, apesar da vida conturbada que levava, não mostrava remorso algum e era super otimista sobre as coisas, carregava o símbolo da paz no peito e se alguém perguntasse qualquer coisa que fosse sobre os crimes que ele havia cometido, falava sem nenhum problema e contava nos mínimos detalhes para quem quisesse ouvir. Era macabro e, com a sinceridade e naturalidade que ele relatava seus feitos, era quase impossível acreditar que eram reais (embora fossem). Quando perguntavam o motivo da carnificina toda, ele respondia que 'liberdade é fazer o que se gosta e felicidade é gostar do que se faz', eu demorei para entender, mas hoje eu vejo que o cara estava completamente doido, e certo.

O cara do coelho não era muito de papo, e as poucas coisas que ele falava tinham o bendito do Hooligans no meio. Sempre montado no bicho, com cara de quem não quer nada, olhar distante e as mãos o tempo todo acariciavam as orelhas do coelhão. O coelho era outro perdido na vida, sempre carregando o homem nas costas, com a mesma cara de quem não quer nada, o mesmo olhar distante e mexendo os bigodes toda vez que o cara lhe acariciava as orelhas. Não parecia feliz. Ambos, para ser sincera.

Os dois caras, o psicopata e o cara do coelho, moravam no mesmo bairro, apenas algumas casas os separavam, mas só se viam quando o cara do coelho saía para o trabalho montado no Hooligans. O psicopata passava os dias espiando pela janela, esperando que alguma ruiva passasse. Sozinhos em seus mundinhos, em suas cabeças engaioladas.

'As ideias são pássaros, meu filho, se você manter a portinha da gaiola aberta, elas sempre voltarão refrescadas'.

domingo, 14 de junho de 2009

Expectations

Eu voltei, por completo, finalmente, andava cansada de ser só metade. Tive quatro dias pra pensar na vida, o que fez bastante diferença por aqui, e conseguir colocar as ideias no lugar. Fazia tempo que eu não sentia a mente vazia das preocupações e o peito desamarrado das angústias.

Vim vendo de cima. O verde aveludado da grama contrastando com o cinza quente do asfalto e o céu azulzinho de outono era bonito demais pra ser verdade. Sombras de trens e carros se misturavam com as dos ônibus e pontes quase que suspensas. O sol tava indo embora, eu também.

A cabeça recapitulava tudo que tinha acontecido e o que não tinha também, foi legal e completo apesar de tudo. Conheci pessoas legais, umas mais antigas, outras novinhas em folha. Deu pra tornar as coisas mais pessoais (e isso é muito bom, faz a gente sentir o sangue correndo).

Hamburguer com ovo, duas cervejas fracas, chiclete de laranja, um boneco zumbi, DVD esquecido, pizza de morango com chocolate, vinho, jogo do Brasil, osso congelado, nariz escorrendo, spray de cabelo, cachecol, poltrona 16 e 02, cadarços coloridos, cachorro nervoso, moinho gigante, pôr-do-sol, sem créditos, quinta categoria, sagu com iogurte, suco de laranja com melão, Tieta, cólica, japonês, anão, sabonete de hotel, Shangai Kiss, pastilha, perfume com cheiro de bala, wayfarer, peixes, criança estranha, dinossauro de plástico, chave minúscula, campos de milho, 306.

Acordei em quatro dias. Espero não dormir outra vez por tanto tempo, se perde muito com os olhos fechados sem ao menos se perceber. Voltei a me sentir uma pecinha recém tirada da caixa de quebra-cabeças, aquelas que encaixam perfeitamente. Logo eu, que sempre fui a peça roída e amassada que não fazia par com coisa alguma, cheia dos cantos errados, que não deveriam existir, encaixei certinho no mundo e poderia ficar presa ali pra sempre, num momento ensolarado e pintado de laranja, que durou menos de uma hora, enquanto as pessoas dormiam, não como eu costumava dormir, mas do jeito convencional.

Tu vais ver, tais no topo do mundo outra vez.


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