terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Mentalidade

Ela olha pela janela. O calor é exaustivo. Não saiu de casa hoje, nem tem saído nos últimos dias, prefere ficar em casa, onde tem sombra. O sol sumiu no horizonte há muito, algumas estrelas no céu entre nuvens bordô, flutuando no negro.

Uma brisa leve sopra em seu rosto e, como se empurrasse seus músculos da face, lhe abre um pequeno sorriso, quase imperceptível. As pessoas caminham lá embaixo, bem poucas, já é tarde. Parecem tão pequenas, mas tudo é tão perfeito quando apenas se observa de longe, sem fazer sons.

O prédio é tão alto, que o único barulho que se escuta é a televisão, recém desligada, estalando. Quando os ouvidos se encontram fora da janela, o som se abafa, e os pensamentos caem por metros até atingirem a calçada, engalharem em fios de eletricidade ou invadirem algumas mentes desconhecidas. Podem sair da torre, pegar um ar fresco.

Na realidade, ela queria estar lá embaixo com as outras pessoas. Porque, na verdade, ela queria estar perto do mar. Porque, sinceramente, ela não queria seus pensamentos e idéias voando por aí, caindo janela a baixo, ocupando outras cabeças. Honestamente, ela queria jogá-los no oceano (é onde a alma encontra o corpo).

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