terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Pássaros de Papel

Folhas de papel dobradas sobre a mesa. Dobradas ao meio. Um lápis bem apontado na cor vermelha esboça um círculo no branco, bem no meio de cada uma das folhas. Dentro do círculo, um outro, alongado, e uma cruz que corta ambos. Logo o desenho toma forma. Alguns traços, alguns cortes.

Penas de cartolina, milhares, coladas com fita adesiva. Um monte de papel dobrado, colado junto, montava uma coisa que só era entendida se olhada de perto. Um fio nas costas os prendiam ao teto, suspensos no centro da sala branca como o papel de que eram feitos. Piados e olhos piscando. Pássaros afinal! Despercebidos a quem atravesse a sala olhando para o chão.

Asas batendo com tanta ânsia de sair, bicos que abrem e fecham, olhos brilhantes como as estrelas do céu, cheios de vontade de viver, vontade que era expressa nos cantos, em um coro. Voariam janela a fora...

...Se não fossem apenas papel amassado.

Mentalidade

Ela olha pela janela. O calor é exaustivo. Não saiu de casa hoje, nem tem saído nos últimos dias, prefere ficar em casa, onde tem sombra. O sol sumiu no horizonte há muito, algumas estrelas no céu entre nuvens bordô, flutuando no negro.

Uma brisa leve sopra em seu rosto e, como se empurrasse seus músculos da face, lhe abre um pequeno sorriso, quase imperceptível. As pessoas caminham lá embaixo, bem poucas, já é tarde. Parecem tão pequenas, mas tudo é tão perfeito quando apenas se observa de longe, sem fazer sons.

O prédio é tão alto, que o único barulho que se escuta é a televisão, recém desligada, estalando. Quando os ouvidos se encontram fora da janela, o som se abafa, e os pensamentos caem por metros até atingirem a calçada, engalharem em fios de eletricidade ou invadirem algumas mentes desconhecidas. Podem sair da torre, pegar um ar fresco.

Na realidade, ela queria estar lá embaixo com as outras pessoas. Porque, na verdade, ela queria estar perto do mar. Porque, sinceramente, ela não queria seus pensamentos e idéias voando por aí, caindo janela a baixo, ocupando outras cabeças. Honestamente, ela queria jogá-los no oceano (é onde a alma encontra o corpo).

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Coversa Intramental 3

- Oi, senhor Vazio! Como o senhor se sente hoje?
- Vazio. E aí, Juli?
- A mesma coisa. Tem lido o jornal?
- Na verdade, tenho assistido bastante televisão. E tu?
- TV também. O jornal anda dando muito trabalho, andam se expressando de forma confusa.
- Concordo. Já pensou em usar óculos?
- Eu USO óculos, seu Vazio. Ó, aqui, ó!
- É mesmo. Nem ligo.
- Credo.
- Credo.
- Pára de me imitar!
- Pára de me imitar!
- O senhor é um idiota. Odeio quando tu vens pra cá! Odeio mesmo, o senhor sempre me irrita!
- Tá!
- Ótimo!
- Tchau.
- Tchau.