terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Guerra Santa

As portas da Igreja fechadas,
Os fiéis de pés no chão
Sacudiam as grades como macacos em uma jaula,
Em uma inútil tentativa de redenção.

As palavras que não eram gemidos,
Eram gritos de fúria e consagração.
Havia mais piedade nas lâminas das espadas,
Que nos olhos de cada cristão.

Diante do sangue que escorria
De cada veia que se rompeu,
Até os santos se tornaram demônios,
Até do amor de Deus se esqueceu.

Por uma causa honrosa,
Tomaram um santo nome emprestado,
Para abrirem milhares de gargantas,
E irem para o Céu sem terem pecado.

Os motivos nobres fizeram as pernas correrem
e o gume não ver quem degolou.
Mas quem iria dormir depois de três séculos?
Quem lembrou dos motivos quando a luz se apagou?

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Revolta Armada

Sou a favor do super caso das coisas.

Por exemplo, um cachorro atropelado poderia sair no jornal ao invés de ser apenas jogado na beira da estrada, ou quem sabe os teus primeiros passos serem eternizados na calçada da fama, ou o teu primeiro sorriso ser documentado no Discovery Channel, ou até mesmo tua primeira paixão poderia se tornar um filme sucesso de bilheteria.

O pôr-do-sol que a gente vê todos os dias poderia ser como um horário eleitoral, em que em todos os canais estivesse passando a mesma coisa e fosse quase que obrigatório ser assistido por milhares e milhares de pessoas do mundo todo, com transmissão em tempo real e talvez até a tela dividida em várias telinhas com vários outros pores-do-sol ao redor do globo. Quem sabe isso não faria das pessoas algo mais... sensível?

Eu não acredito que viver vendo TV seja desperdício de tempo, não mesmo, a televisão tem muito o que ensinar, mas acho que existem coisas mais saudáveis que se poderia estar fazendo ao invés de ouvir ideias transmitidas de uma forma que não se deixa transparecer de que lado realmente se está jogando. A televisão ajuda a destruir egos desde 1929, talvez até um pouco depois. E não só a TV, mas as revistas desde que começaram a criar padrões de beleza. Ninguém estava nem aí de ser gordo há 100 anos atrás, pelo contrário, gordura era tido como algo bonito. Mas esse não é o ponto aqui, a questão é a perda de valores, sensibilidade e, principal e lamentavelmente, a perda de metas.

As pessoas aprenderam a palavra mágica 'tudo bem' e descobriram que se acomodar era muito mais fácil que lutar, que perder não é assim tão mau e que o governo tem o poder mal distribuído, mas e daí? Fulaninho foi encontrado queimado e com um cadeado na boca, mas deixa, é briga de gang mesmo! Acho que a TV não seja desperdício de tempo, pela segunda vez, mas acredito que ela serve de alavanca para a banalização dos problemas. Ela mostra todos os dias algo sobre os direitos do cidadão, mas como exercê-los? Na novela, ninguém se opõe ao governo, ninguém luta pelos seus direitos. O que nos falta não é estudo, ou comida, ou saneamento básico. O que nos falta é um motivo para entrar na luta.

Nosso povo já é armado, faça o nosso sangue valer, nos dê algo pelo que lutar.

watch?v=8ncOAJpr3n0


"Esse sou eu! Então, quem sou eu realmente? QUEM SOU EU!?!

É meio estranho olhar para mim mesmo desse jeito. Não é assim que eu me vejo, mas pessoas diferentes me vêem de jeitos diferentes... Bem, é assim que eu me pareço! Mas, QUEM SOU EU!?! Eu sou Lasse Gjertsen! Mas, esse é só o meu nome. Tenho 20 anos, da cidade de Larvik e desde que eu sou dessa cidade, algumas pessoas acham que eu falo engraçado. Tanto faz... Mas meu nome não é quem eu sou. Nem minha idade ou de onde eu vim. São meus pensamentos que fazem quem eu sou! As coisas que eu acredito e não acredito, gosto e não gosto... Eu não gosto do trânsito, por exemplo. Eu não sou muito apaixonado por máquinas também. ODEIO ANÚNCIO! Eu gosto de coisas naturais, como amizade e árvores, e... pornografia. Não gosto de carros, cara...

Eu me pergunto o que vai acontecer quando eu morrer. Minha alma vai continuar? Existe uma alma, ou eu vou apenas desaparecer? Eu vou para o Céu, se é que existe? Ou Inferno? Tanto faz...

Eu não curto muito esses tempos em que a gente vive. As pessoas parecem ser sem coração, e estão só pensando em dinheiro! Bem, eu também, talvez... Mas eu tento não ser assim! Eu quero construir uma máquina do tempo, e viajar de volta para os anos 50 ou 70! Isso seria ótimo! Bem, eu acredito que o mundo era a mesma porcaria 30 ou 50, 100 ou 500 anos atrás!

Talvez eu devesse fazer meu melhor para fazer as coisas melhores, agora mesmo! Com animação! Na animação, TUDO é possível! E você cria vida de coisas sem vida, tipo como se você fosse Deus, ou sei lá! Talvez eu possa fazer o mundo melhor com animação? Fazer coisas realmente boas que as pessoas amem, com simbolismo e mensagens dizendo: "Nós temos que ser gentis, ser espertos, e pensar mais no futuro do que no passado!"

Eu estou tão cansado de comida... Estou de saco cheio de dormir, levantar, escovar meus dentes, tomar banho, comer, trabalhar, ir ao banheiro e ir pra cama... Mas a vida é isso! É desse jeito que a gente fez para a gente, mas era assim que a gente queria? É isso que eu quero? Não... Eu gosto de coisas naturais, certo?

Talvez eu devesse apenas deixar para lá e voar para longe, para uma ilha solitária em algum lugar e viver livre na natureza, como era originalmente pra ser! Eu provavelmente não saberia lidar com isso muito bem... Tanto faz... Vamos ver o que acontece. Tudo é possível..."

[Lasse Gjertsen]


(O garoto é um gênio, e eu realmente tô obcecada pelo trabalho dele!)

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Conversa Matinal

Juli diz (08:40):
no fim da minha rua tem praia
Juli diz (08:40):
mas é poluída
Juli diz (08:40):
mas é mor bonito pra olhar
Juli diz (08:40):
tem passarinhos
Juli diz (08:40):
e tem até uns patinhos
Juli diz (08:40):
e tem peixe
Juli diz (08:40):
que pula
Juli diz (08:41):
e de vez em quando tem uns cachorros
Juli diz (08:41):
mas o doido é a cidade
Juli diz (08:41):
que fica bem vazia e tals
Juli diz (08:41):
bem pouco movimento
Juli diz (08:42):
e depois tu chega no mar e ele tá colorido igual ao céu
Juli diz (08:42):
várias vezes meu olho ficou tipo
Juli diz (08:42):
lacrimejandinho saca
Juli diz (08:42):
acho que a gente morar na cidade
Juli diz (08:42):
e toda essa coisa de internet, filme e globalização
Juli diz (08:43):
afasta tanto a gente da natureza
Juli diz (08:43):
que uma merda de um sol nascendo faz a gente parar pra olhar
Juli diz (08:43):
acho loucura quem passa reto quando o céu tá com aquelas cores absurdas da manhã
Juli diz (08:43):
é a única hora que eu paro pra pensar na vida
Juli diz (08:44):
e esqueço de tudo que tem em volta de mim

domingo, 11 de janeiro de 2009

Ponto Final

Acho que é aqui que eu desço. Só com as palavras no estômago, engolidas. As esperanças foram perdidas ao longo da viagem, voaram pela janela. Na mala apenas um monte de planos e desejos que eu fiz questão de deixar no ônibus mesmo.

O orgulho desceu há uns pontos atrás e o otimismo desce comigo, agora. A coragem e a vontade de investir e mudar o jogo se esvaíram no vento que balançava as cortinas da janela, de onde eu era obrigada a assistir tudo o que acontecia aí. E confesso que alguns cortes, de um e outro acidente durante a estrada, ainda estão se fechando.

O balanço do ônibus começou a me enjoar ao invés de ninar. Por isso decidi descer aqui.

Cansei de ser passageira. Joga as chaves, eu que dirijo.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Libertando Vaga-lumes


Eu queria poder libertar meus pensamentos e fazer com que eles voassem em todas as direções. Se esmagassem contra os carros e outdoors. Queria ter habilidade para fazer com que fossem vistos, assim as pessoas encarariam de um jeito diferente as minhas ideias sem sentido, ou os meus desenhos. A insanidade seria finalmente descoberta e entendida, pela expressão de ideias comprimidas em alguns centímetros de osso resistente.

Só isso. Isso tudo. É o que me amarra as pálpebras nas sobrancelhas várias noites a fio, tentando achar um jeito de deixar que isso se mostre, que as horas que se passam puxem para fora todos esses vaga-lumes prateados que rondam esse pedaço de tecido nervoso. Minha habilidade para me expressar é tão eficiente quanto tentar mostrar raiva sem sobrancelhas.

Enquanto eu espero o sol nascer, filmes passam incansavelmente e, ao mesmo tempo, meus olhos analisam e processam tudo por trás de lentes de óculos. Talvez numa procura de melhor exprimir sentimentos e ter umas frases legais para uns momentos legais, ou sei lá, quem sabe?

Eu estou tentando, juro. Mas botar isso para fora ia ser tão doloroso quanto ter que vomitar a pizza deliciosa do jantar. Talvez eu fale em pensamento, poderia deixar minha metade extraterrestre se comunicar.

Definitivamente, chega de filmes, Juli. E sei lá o que eu escrevi aí em cima, não ando entendendo direito o que eu digo ultimamente.


domingo, 4 de janeiro de 2009

Um Cordão e Dezesseis Dúzias de Penas

Os dias são espelhos nas últimas semanas: exatamente iguais. Talvez difiram na cor de um carro que passa, ou dois, mas no mais são idênticos. As mesmas pessoas, as mesmas atitudes. Até os diálogos são iguais. Vazios e robóticos.

Meus sonhos começaram a refletir a realidade. Mesmo dormindo, sonho que estou presa, mas fugindo. Talvez por dentro eu seja bem mais rápida e forte do que eu aparento ser. Queria minha atitude inconsciente 24 horas por dia, porque, ultimamente, as mensagens processadas enquanto eu durmo são mais racionais que as pensantes, com os olhos abertos, ainda que distantes.

Eu sou um passarinho em uma gaiola, mãe, abre a porta pra mim, vai.