domingo, 7 de dezembro de 2008

Viagem Noturna


Eu estou dando tempo ao tempo. Eu sei que isso é a coisa mais cliché que alguém conseguiu dizer e, que talvez no dia que foi dita realmente fez sentido, mas eu não consigo transformar meu cérebro em outras palavras além destas.

Eu entendi o verdadeiro sentido das coisas. Percebi o quanto a gente precisa se esforçar pra ter o mais medíocre que a vida tem para oferecer. E, sinceramente, não estou selecionando nenhuma palavra, estou simplesmente escrevendo o que me vem à cabeça, só me policiando para não dizer mais do que deveria, então provavelmente o que eu escrever aqui não vai fazer o menor sentido.

São 04:59am, o dia já começou oficialmente, mas os raios de sol ainda nem se mostram, nem um pouquinho, por trás dos prédios. Não consigo pregar os olhos, também nem quero. Me decidi a tomar café, varar a noite e ver o sol subir lentamente, colorindo o céu com aquelas cores que nenhuma marca de lápis de cor vai um dia conseguir imitar. Vou deixar que cada célula do meu corpo se ilumine com a delicadeza de cada faixo de luz amarelo que vem do céu. Deixar que essa luz dê cor ao que está morrendo lentamente. Todo mundo morre lentamente.

Não estou me importando com o exterior, aliás, há muitos anos eu parei de me preocupar neuroticamente. Não nego ataques de pelanca, não mesmo, mas larguei de mão me importar com o que eu vou ouvir de quem passa por mim na rua. Voltei a minha atenção para o interior, treinei meus olhos para verem o coração das pessoas e obriguei meu cérebro a usufruir de tudo o que os meus ouvidos escutam. Abri uma porta em mim que há muito estava fechada, que a poeira comia de cima a baixo e que os raios de sol, os mesmos que daqui um pouco vão arrancar o papel de parede preto que cobre tudo acima de qualquer um nessa cidade, não ousavam penetrar.

Abri as cortinas. Do quarto e da alma. Espero que a manhã venha logo, preciso mesmo iluminar tudo por aqui. Trazer clareza para os meus objetivos e se tem alguma coisa que eu possa cair de joelhos para pedir, é determinação.

Entreguei aos ventos as palavras de amor. As substituí por música. Completei o vazio com palavras alheias, com vozes famosas, com bends de gaita, acordes de violão, solos de guitarra pegajosos e melodias embaladas. Criei um mundo irreal com as palavras dos outros. Projetei os filmes frente aos olhos, como se acontecessem constantemente pelas ruas da cidade. E nem fiz questão de ser a protagonista.

05:10am. Da minha janela só enxergo três luzes acesas nos prédios. Ouço o movimento começando nas ruas, embora o sol ainda não queira mostrar o que ele vai me trazer hoje. Os pássaros cantam. E como eu queria que alguém fizesse ideia de como eles me enchem de vontade de viajar sem rumo! O canto deles vale mais do que mil bends, acordes e solos pegajosos.

O sol nascendo me dá vontade de ter asas. Asas enormes que pudessem abraçar todo e qualquer canto da cidade, que pudessem refletir cada partícula de luz que veio flutuando do espaço e ainda assim deixar elas iluminarem meu peito, através de mim, mandando embora o que eu trago de ruim aqui dentro.

Parece que o sol vai demorar ainda, mas como eu estou dando tempo ao tempo, não me custa dar tempo ao sol também. Tudo acontece exatamente no horário planejado. Isso é o destino. E se algum dia me perguntarem de novo se eu acredito nele, eu vou responder que, definitivamente, sim, sem dúvida nenhuma.

3 comentários:

Carmen disse...

Tudo na vida é assim, temos que "dar tempo ao tempo". As coisas acontecem exatamente no instante que deve acontecer, assim como o nascer do sol, que traz ou não raios que possam iluminar nossos dias e torná-los ainda mais quentes e felizes.

TE AMO!!!

kaka disse...

JU.... vc é foda...
Aprendi muito lendo isso.
vc diz que talvêz não tenha sentido o que vc escreveu.

Tenho certeza que vc sabe o qto isso tudo que vc falou tem sentido, sim.

Olhar pro coração das pessoas...
Sentir os raios de sol...
E não e preocupar com a aparencia e sim com o interior.
Isso nao tem preço.
bjuuuuus

disse...

"Tudo passa. Até a uva passa".


:)