sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Trincheira

A chuva caía forte, formando várias poças pelo campo de batalha. A roupa ficava cada vez mais pesada e a farda difícil de carregar. Não lembro bem ao certo o momento exato em que aconteceu, mas os dezesseis soldados, um a um, começaram a baixar as armas.

O general esbravejava enquanto via seu minúsculo exército cair por chão. Exausto. E não importava o quanto o caudilho berrasse os pulmões, ninguém levantaria.

Os olhos cansados dos militares viam seu objetivo próximo, e nem sequer podiam mover uma partícula de músculo para arrastar aquele monte de pele, carne e ossos pelo chão enlameado da área de combate. Via-se passar correndo milhares de outros soldados que, em meio explosões e tiroteios, chegavam ao outro lado do enorme muro de arame farpado.

A voz do cabo de guerra ecoava dentro das cabeças, junto ao som das gotas de chuva, que mais pareciam um bombardeio aéreo do que água caindo do céu, mas nunca atingia o alvo principal.

O que mais poderiam fazer quando a força bruta estava esgotada e a mental não respondia?

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