terça-feira, 18 de novembro de 2008

Cerúleo

Os olhos se fecham e se abrem. E o intervalo de tempo entre aberto e fechado se estreita até que estejam constantemente juntas as pálpebras, e os cílios entrelaçados como dedos em mãos dadas. Os músculos da face todos relaxam. A mente esvazia, assim como os pulmões a cada dois segundos. Além disso, só o azul. Azul em vários e vários tons diferentes, rasgado de pontos luminosos aos milhares. Todos de cor branca. Cintilam.

Os cabelos ondulam. Os pulmões se enchem e assim permanecem. A mente se abre, como os olhos. As pernas e pés sacodem-se delicadamente, impulsionando o exausto corpo em direção ao nada inscrito em azul. Os pontos luminosos se dizem pequenas criaturas. Ainda cintilam.

Abaixo vê-se o azul marinho transformar-se gradualmente em negro denso e os minúsculos e luminosos seres criam todo o cenário de um céu abaixo dos pés, que continuam a sacudir-se. Acima, ainda que muito, muito longe, vê-se luz, que se eleva e se desloca em ciclo descontínuo.

Falar de sons agora seria irrelevante, uma vez que a mente só consegue processar a mesma voz familiar que repete a mesma frase pausadamente: "eu quero ouvir o que tu tens a dizer".

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