quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Pássaros

O fim do ano chega voando, não docemente como as andorinhas que começam a enfileirar-se nos fios dos postes anunciando verão, mas como uma ventania entre as ruas da cidade - talvez até a mesma que me fez perder os óculos.

E eu me sinto completamente impotente ao ver meu castelo ser constantemente golpeado, reduzido a mais um monte de areia, se igualando ao resto da praia e que, em uma onda ou outra, vai voltar a ser o que era e passar despercebido.

Acho que é medo, medo de perder o que eu conheço, de correr em algum caminho novo. Medo de soltar as mãos, de tirar as rodinhas da bicicleta. Medo de ver que é tudo muito maior que o meu umbigo e de perceber que talvez eu pudesse ver além se não estivesse tão preocupada procurando meus óculos.


E os pássaros, eles são milhares e sabem se alinhar, se ajeitar, formar uma organização perfeita sem traços, sem mapas, sem apoio para se guiar e sempre chegam exatamente onde querem, onde deveriam. Instinto.

Eles não cantam.

Eu realmente deveria fazer o mesmo. Só me dê o tempo de as asas crescerem, e eu prometo que as coisas vão se encaixar.

Eles não cantam mais. Não por falta de voz, mas por falta de motivação.

Um comentário:

lihh disse...

Motivação eu sempre te dei. Trata de crescer logo essas asas e soltar a voz! hahaha
Perdeu o óculos, como, cara?