sábado, 1 de novembro de 2008

Luminosos

Coberta por metade, o quarto se ilumina em um alaranjado, tonalizando as paredes roxas em um rosa desbotado e fazendo-me lembrar o pôr-do-sol.

O coração está apertado, os olhos encharcados e a cabeça dói uma dor de cansaço. Quanto desgosto, meu Deus! Quanto desgosto pode caber em um pedaço de carne rija que certamente não tem mais que doze centímetros.

E eu não quero saber, eu definitivamente não quero, porque sinceramente não me interessa. Não hoje, nem amanhã, talvez nem depois.

Enquanto a mágoa e o desprazer corroem o interior, o exterior parece desvairado, como um rebanho que foge de um lobo faminto, mas por partes ausente, porque tem mais com o que se preocupar e, além do mais, as coisas não são tão fáceis? Não.

Os olhos vão se fechar, a mágoa vai sumir, a dor vai passar e o coração vai pulsar como antes e, talvez eu nem me lembre disso depois. Não pretendo acordar antes das sete. As cortinas vão estar fechadas e o telefone desligado. Nem o sol será permitido nessa manhã de Sábado. Muito menos vocês.

Cansei dessa palhaçada imensa e contínua.

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