sábado, 23 de agosto de 2008

Bifurcação

A chuva cai devagar e fina, como costumeira por aqui nas últimas semanas. A neblina cobre as ruas e os prédios até o topo, deixando-se ver apenas as janelas do vigésimo andar. Estas, por sua vez, refletem tons de cinza, como o céu. E as nuvem se misturam com a vontade de não ver.

Não vê-se pessoas ou qualquer sinal de vida, apenas ouve-se. O mundo lânguido parece não andar, mesmo que no fundo a gente saiba que ele está. Ele está lá, mas eu não estou.

Com os olhos abertos e fixos em algum ponto, no fim de uma estrada que termina por bifurcar-se bem diante do olhar mórbido. A chuva ainda cai. Não faço idéia de onde devo ou deveria ir, parece que chegou o fim da linha e realmente não existe nada que eu quisesse diferente. Não tenho mais pelo que esperar, tudo está no seu devido lugar e meu coração bate compassado com as gotas de chuva que atingem o solo, vez rápido, vez devagar. E não são um, mas milhares deles em milhares de lugares distintos.

Me mandaram ver além do que eu poderia, mas as árvores entre a bifurcação são enormes, gigantescas, como a dúvida que me corrói o peito.

- Coroe mais alguns bobos, e saberemos para onde ir.

Um comentário:

disse...

Sei o que tu quis dizer e entendo, por motivos diferentes, mas entendo.

:*