quinta-feira, 3 de julho de 2008

A Perda

São nestes momentos de emoção extremamente forte que me inspiro a escrever. Vez por felicidade, vez por tristeza. Quem dera fosse por uma boa lembrança ou acontecimento que estou escrevendo agora.

Faz menos de uma hora que eu perdi meu amigão, não um tipo de amigo convencional, mas dos que te escuta e te entende. Ouve a tua voz e sente alegria nisso. Acabei de perder meu bichinho de estimação. E sim, pode parecer bobo quando se lê uma coisa dessas, mas é porque ninguém viu o que eu vi: os olhinhos perdendo o brilho e os pulmões perdendo o ar numa respiração entrecortada. Uma criatura tão frágil, tão meiga, que não merecia um dos gritos de dor que deu enquanto a visão tornava-se escura.

E o que eu poderia fazer? Assistir ao show de horrores, uma vida sendo levada bem diante dos meus olhos, que por fim estavam fechados na ilusão de estarem dormindo e poder acordar para brincar com meu amigo das manhãs geladas e dos dias ensolarados, de dividir as cenourinhas escondida da mãe, de dar mais alfaces do que se deve só para ver o roedor feliz, de poder abraçá-lo e dizer o quanto eu o amo, em voz alta e sem vergonha do mesmo.

Hoje eu perdi meu coelho, meu neni, meu menino. E tu podes dizer que os coelhos são todos iguais, mas eu te digo que o meu era o melhor do mundo e que eu vou sentir MUITO a falta dele. Não sei o que vai ser dos dias de escola, nos quais a primeira coisa que eu fazia ao chegar era procurar meu menino para brincar, conversar um pouco. As vezes eu falava sobre uma vida diferente, em que a gente ia morar em um apartamento colorido e não iam existir preocupações, nem tantas responsabilidades.

Panquecas, vulgo Panks, desejo que agora tu possas correr em campos de grama, diferente do chão de piso pelo qual sempre brincaste, que as cenouras pulem na tua frente sem limites e que tu possas comer quantos bolos de chocolate tu quiseres. Sempre vou te ter na memória e tu vai ser para sempre meu favorito, te amo.

'Love is watching someone die'.

Nenhum comentário: