terça-feira, 15 de julho de 2008

É...

A noite caiu sem dizer nada, só soube quando abri as janelas em busca de ar fresco para meus pulmões.

O quarto estaria silencioso se não fosse pela música, a voz de um homem morto que ecoa. E eu não dou a mínima. A letra diz 'I will let you down, I will make you hurt'. E eu continuo não me importando.

A dor não queima como antes. Ninguém está como antes. Nada é como antes. Coisas sumiram, valores se perderam e eu me pergunto: 'quem sou eu?'. Procurei ser a mesma, procurei permanecer imutável, mas negar a mudança é como o velho que pinta seus cabelos para renegar os anos que estão estampados no seu rosto.

Nunca imaginei me ver tão perdida a ponto de perguntar se mudei ou não, de não saber para onde ir, não saber o que fazer da vida, não saber o que esperar dos outros.

'Beneath the stains of time, the feelings dissapear. You are someone else, I am still right here. What have I become, my sweetest friend? Everyone I know goes away in the end', ele continua cantando, mas eu não presto atenção.

Eu preciso de alguém que saiba quem sou eu.

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