sexta-feira, 25 de julho de 2008

Bandeira Branca

Eu sempre parei para pensar nas chances desperdiçadas, mas hoje eu parei para pensar nas segundas chances. Eu sou uma pessoa que com certeza já teve mais do que duas.

A pergunta incessante que me devora a cabeça por inteiro é 'por que eu perco tanto tempo?'. Eu não tenho tanto, não tenho todo o tempo do mundo. Nem tu, nem ninguém. E é isso que me desespera. Não sei se desespero seria a palavra certa, então prefiro 'intimida' ou até mesmo 'preocupa'. Eu perco dias, meses, anos, pensando no que eu poderia estar fazendo, no que eu quero fazer e no que eu quero ser. No que eu quero para a minha vida, nas pessoas que eu quero conhecer, sem me dar conta de que elas vivem suas vidas enquanto eu perco a minha aqui, pensando.

Hoje eu decidi que eu quero ser uma pessoa diferente, quero me ligar a outras coisas, conhecer pessoas, investir na minha cultura, no meu conhecimento.

Quando eu tiver uns setenta anos, quero ter histórias para contar, quero uma vida cheia, um livro colorido, não quero contar aos meus netos e filhos sobre meus amigos de Internet, sobre as coisas que eu planejava. Eu quero crescer.

Crescer não é uma coisa natural da vida, como eu sempre pensei. Aquela história de ser neném, depois criança, adolescente e todas essas coisas, são uma questão de deselvolvimento biológico e, sim, estão fora do nosso alcance acelerá-lo ou impedí-lo, mas crescer mentalmente e ter uma visão madura e responsável do mundo é uma coisa que se escolhe. É assim com tudo! Cada segundo que passa, é uma chance que tu tens de fazer as coisas funcionarem ou falirem. Eu quero fazê-las funcionar, e quero ver o circo pegar fogo, sim. Preciso que as coisas aconteçam, não posso desperdiçar uma vida inteira na frente de um computador, conversando com pessoas 'imaginárias'. Um dia eu posso até me tornar uma delas, e isso seria realmente um problema.

E chegando ao final destas linhas a pergunta se expande: 'por que eu perco tanto tempo tentando ser alguém que eu não sou e nem ao menos quero ser?'.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

MEEEEEEEEEEEU deus!

Tu me envergonhas, e só.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

domingo, 20 de julho de 2008

Desenhei Lábios

A princípio, os meus, depois os teus, depois os de todas as pessoas que me vieram à mente. Todas elas, e foram muitas, mas eu terminei, finalmente terminei. E olhando bem para a figura, entre os lábios estava o teu semblante junto ao meu.

Eles disseram que eu mudei. E eu começo a pensar que eles estavam certos desde o início.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

terça-feira, 15 de julho de 2008

É...

A noite caiu sem dizer nada, só soube quando abri as janelas em busca de ar fresco para meus pulmões.

O quarto estaria silencioso se não fosse pela música, a voz de um homem morto que ecoa. E eu não dou a mínima. A letra diz 'I will let you down, I will make you hurt'. E eu continuo não me importando.

A dor não queima como antes. Ninguém está como antes. Nada é como antes. Coisas sumiram, valores se perderam e eu me pergunto: 'quem sou eu?'. Procurei ser a mesma, procurei permanecer imutável, mas negar a mudança é como o velho que pinta seus cabelos para renegar os anos que estão estampados no seu rosto.

Nunca imaginei me ver tão perdida a ponto de perguntar se mudei ou não, de não saber para onde ir, não saber o que fazer da vida, não saber o que esperar dos outros.

'Beneath the stains of time, the feelings dissapear. You are someone else, I am still right here. What have I become, my sweetest friend? Everyone I know goes away in the end', ele continua cantando, mas eu não presto atenção.

Eu preciso de alguém que saiba quem sou eu.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

A Perda

São nestes momentos de emoção extremamente forte que me inspiro a escrever. Vez por felicidade, vez por tristeza. Quem dera fosse por uma boa lembrança ou acontecimento que estou escrevendo agora.

Faz menos de uma hora que eu perdi meu amigão, não um tipo de amigo convencional, mas dos que te escuta e te entende. Ouve a tua voz e sente alegria nisso. Acabei de perder meu bichinho de estimação. E sim, pode parecer bobo quando se lê uma coisa dessas, mas é porque ninguém viu o que eu vi: os olhinhos perdendo o brilho e os pulmões perdendo o ar numa respiração entrecortada. Uma criatura tão frágil, tão meiga, que não merecia um dos gritos de dor que deu enquanto a visão tornava-se escura.

E o que eu poderia fazer? Assistir ao show de horrores, uma vida sendo levada bem diante dos meus olhos, que por fim estavam fechados na ilusão de estarem dormindo e poder acordar para brincar com meu amigo das manhãs geladas e dos dias ensolarados, de dividir as cenourinhas escondida da mãe, de dar mais alfaces do que se deve só para ver o roedor feliz, de poder abraçá-lo e dizer o quanto eu o amo, em voz alta e sem vergonha do mesmo.

Hoje eu perdi meu coelho, meu neni, meu menino. E tu podes dizer que os coelhos são todos iguais, mas eu te digo que o meu era o melhor do mundo e que eu vou sentir MUITO a falta dele. Não sei o que vai ser dos dias de escola, nos quais a primeira coisa que eu fazia ao chegar era procurar meu menino para brincar, conversar um pouco. As vezes eu falava sobre uma vida diferente, em que a gente ia morar em um apartamento colorido e não iam existir preocupações, nem tantas responsabilidades.

Panquecas, vulgo Panks, desejo que agora tu possas correr em campos de grama, diferente do chão de piso pelo qual sempre brincaste, que as cenouras pulem na tua frente sem limites e que tu possas comer quantos bolos de chocolate tu quiseres. Sempre vou te ter na memória e tu vai ser para sempre meu favorito, te amo.

'Love is watching someone die'.