terça-feira, 25 de março de 2008

Afiadinhos

Anteontem estava sentada em frente ao meu colégio esperando meu pai, que normalmente é pontual, mas não naquele dia. Meus amigos partiram assim que o sinal tocou e eu, por falta do que fazer, comecei a desenhar, nada em especial, apenas rabiscos.

Não sei se foi o fato de estar tanto tempo esperando, mas comecei a prestar atenção na conversa de duas menininhas sentadas ao meu lado. Falavam dos pais, das amiguinhas, da escola e essas coisas assim, mas o que me chamou a atenção, foi como as crianças de hoje estão evoluídas (e não menos encapetadas que as de antigamente).

As meninas não tinham mais do que dez anos, mas a maldade no assunto era pior do que meus comentários maldosos. 'Ai, é um saco essa história de mãe vir buscar na escola, né?'. Não me lembro de uma única vez ter me envergonhado por meus pais me levarem e buscarem na escola, até sempre preferi, pelo fato de não precisar andar de pé ou de ônibus.

Depois de uns 15 minutos, chegou uma garotinha em um carro, se despediu da mãe e o pai a acompanhou até os portões do colégio. Enquanto a menina descia do carro, uma das pomposas, que ainda estavam sentadas do meu lado, falou: 'essa não é a fulana?', e a outra prontamente respondeu: 'é, ai ela é uma chata, né?'. Até aí tudo bem, porque elas têm o direito de não gostar da lourinha que se aproximava com uma mochila de rodinhas, mas a falsidade com que as meninas conversaram com ela foi que eu achei um tanto quanto adulto no sentido do 'fakismo': 'Oi, Larissa, lembra de mim?'.

Meus desenhos fluiam tortos por culpa das orelhas em pé. De repente, um menininho com uns cinco anos no outro lado da rua tocava uma gaita. Sinceramente eu achei a coisa mais bonitinha, mas um grupinho de garotos do meu lado (as meninas já tinham entrado no colégio) começaram a zombar do menino, que por fim se escondeu sentado atrás de um carro e parou de tocar.

Isso tudo me fez perceber que o que eles mostram na televisão realmente está afetando a cabeça dos miúdos da sociedade (e foi espantoso, ein?).

De fato, esperar pacientemente quase uma hora pelo meu pai, me fez rever alguns conceitos. E também me perguntar milhares de vezes por que eu sentiria vergonha de alguém que sempre me buscou com um sorriso no rosto e um abraço apertado.

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