segunda-feira, 31 de março de 2008

Entrelinhas + Conversa Intramental

- Juliana, chegou atrasada de novo... Motivo?

(Na verdade, senhor Tíbia, eu acordei às 06:20h porque não ouvi o despertador das 06:00h. Resolvi dormir mais um pouco porque achei que merecia por estudar demais. Vendo que ainda tinha tempo sobrando, acordei minha mãe e juntas dançamos a Dança do Quadrado, a qual minha mãe perdeu e teve que imitar o Silvio como prenda.

Já estávamos prestes a sair de casa quando resolvi alimentar meu coelho com damascos escoceses, que pedi por telefone e esperei pacientemente até que chegassem afagando o filhote nos meus braços. Assim que chegaram, os servi ao miúdo e ensinei a dança do Soulja Boy para a D. Carmen, que aprendeu sem problemas.

Depois disso tudo, até pensei em fazer cocô, mas daí fui assistir o jornal porque achei mais educativo. Ah, daí baixei Nelly - Must Be The Money e organizei as fotos do meu computador em ordem alfabética.

Na hora de sair de casa, o portão emperrou e eu tive de aprender artes marciais para que pudesse fechá-lo, o que levou um certo tempo, porque é meio complicado.

Por fim, chegamos sem problemas até aqui, às 07:15, e se o senhor pudesse largar seu jogo um pouquinho e me deixar entrar eu agradeceria muito, porque na primeira aula tem prova de Literatura.)

- Perdi o ônibus, senhor Ronnie.

domingo, 30 de março de 2008

Tapa Olho

Quando caminho pelo centro da cidade, procuro em todos os rostos o teu. Não encontro semelhança nas roupas, no físico, no cabelo, nos olhos, nem nada que me lembre (nem de longe) tu.

Que diabos tu me fizestes que me cegastes para os outros?

quinta-feira, 27 de março de 2008

Querida Lava-Louça,

Agradeço desde já os serviços prestados à minha família durante longos anos e reconheço que mereces férias. Mas peço que voltes a trabalhar o mais rápido possível, pois não gosto de ter meus dedos murchos pela água gordurosa da pia e as cutículas devastadas pelos produtos químicos usados nos detergentes de hoje em dia. Vale lembrar que desde sua saída, minhas unhas pararam de crescer, pois se recusam a serem pintadas de vermelho ou qualquer outra cor berrante e depois serem mergulhadas na Atlântida de pratos recém utilizados.
Atenciosamente, Juliana.

P.S.: Estamos morrendo de saudades.

terça-feira, 25 de março de 2008

Afiadinhos

Anteontem estava sentada em frente ao meu colégio esperando meu pai, que normalmente é pontual, mas não naquele dia. Meus amigos partiram assim que o sinal tocou e eu, por falta do que fazer, comecei a desenhar, nada em especial, apenas rabiscos.

Não sei se foi o fato de estar tanto tempo esperando, mas comecei a prestar atenção na conversa de duas menininhas sentadas ao meu lado. Falavam dos pais, das amiguinhas, da escola e essas coisas assim, mas o que me chamou a atenção, foi como as crianças de hoje estão evoluídas (e não menos encapetadas que as de antigamente).

As meninas não tinham mais do que dez anos, mas a maldade no assunto era pior do que meus comentários maldosos. 'Ai, é um saco essa história de mãe vir buscar na escola, né?'. Não me lembro de uma única vez ter me envergonhado por meus pais me levarem e buscarem na escola, até sempre preferi, pelo fato de não precisar andar de pé ou de ônibus.

Depois de uns 15 minutos, chegou uma garotinha em um carro, se despediu da mãe e o pai a acompanhou até os portões do colégio. Enquanto a menina descia do carro, uma das pomposas, que ainda estavam sentadas do meu lado, falou: 'essa não é a fulana?', e a outra prontamente respondeu: 'é, ai ela é uma chata, né?'. Até aí tudo bem, porque elas têm o direito de não gostar da lourinha que se aproximava com uma mochila de rodinhas, mas a falsidade com que as meninas conversaram com ela foi que eu achei um tanto quanto adulto no sentido do 'fakismo': 'Oi, Larissa, lembra de mim?'.

Meus desenhos fluiam tortos por culpa das orelhas em pé. De repente, um menininho com uns cinco anos no outro lado da rua tocava uma gaita. Sinceramente eu achei a coisa mais bonitinha, mas um grupinho de garotos do meu lado (as meninas já tinham entrado no colégio) começaram a zombar do menino, que por fim se escondeu sentado atrás de um carro e parou de tocar.

Isso tudo me fez perceber que o que eles mostram na televisão realmente está afetando a cabeça dos miúdos da sociedade (e foi espantoso, ein?).

De fato, esperar pacientemente quase uma hora pelo meu pai, me fez rever alguns conceitos. E também me perguntar milhares de vezes por que eu sentiria vergonha de alguém que sempre me buscou com um sorriso no rosto e um abraço apertado.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Knock Out

Samba-canção e tênis me lembram luta-livre. Eu gosto assim.

domingo, 23 de março de 2008

Pê-á-essi-cê-ô-á

Páscoa em março só daqui a 250 anos, ein?

sábado, 22 de março de 2008

Prólogo

Não faço idéia de quantas vezes errei, ou de quantas deixei-me errar. A questão é que o tempo passou tão rápido que tirou-me o sangue das veias e me aprisionou num mundo imaginário.

Não faço idéia de quantas vezes tu acertastes, ou de quantas deixei-te acertar. O tempo passou devagar demais para ti, deixando-te ver meu sangue verter por entre os dedos das mãos, nas arquibancadas de uma icansável corrida de nascar com uma interminável volta para a esquerda, assistida de algum trailer fétido no seu quintal.

Por mais que tu digas que é tudo igual, eu vejo que o brilho das estrelas, que um dia coloquei nos teus olhos, hoje está congelado pela frieza qual não posso esconder, nem negar. E, caso um dia me encontres transparente o suficiente para olhar através da minha pele e mostrar meu interior, garanto para ti que não verás um coração, pois o mesmo certamente terá sido removido. Fim de parágrafo.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Chuva Ácida

'Suspended by the throat' no telhado da tua casa. Tua janela está aberta para que a brisa fresca do inverno invada teus cobertores. Que saudade dos cobertores. O frio hoje está excessivo e a chuva cai leve, como milhares de agulhas sobre minha pele.

Mais um gole desse whiski barato que tu costumavas me comprar, ao menos o sangue ainda mantém-se líquido e corrente.

A cidade é linda de cima.


(Comi carne e varri a casa em uma sexta-feira santa, quero ver quem me tira um lugar no céu)

quinta-feira, 20 de março de 2008

Vento em Popa

Um dia vou construir um navio só meu (e seu) e prometo te levar para conhecer os olhos apertados do povo oriental.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Conversa Intramental

- Lamento informar, senhor, mas o senhor não tem cérebro.
- Não tenho, é?
- Não.
- Então isso explica minha falta de idéias, mão.
- Exatamente, senhor.
- O que eu vou fazer, então? Nada, pé?
- O senhor pode sentar e aguardar nessa filinha de espera, senhor.
- E demorar muito, céu?
- Em média 26 anos e 48 dias, senhor.
- Mas isso é mais do que eu vivi, mar.
- O senhor tem quantos anos, senhor?
- 24, pão.
- Então vou parar de chamá-lo de senhor, senhor.
- Então pare, sim.
- Parei... Rapaz.
- Melhor assim, véu.
- É, por que o rapaz usa monosílabas no final das frases?
- Porque exige pouco do meu cérebro, cú.
- Compreendo, se puder me acompanhar, eu ficaria lisongeado.
- Por que tu usas palavras complicadas, dá?
- Porque eu tenho dois cérebros.
- Tem, é?
- Tenho.
- Então dá um aê, né.
- Não, gosto de dois. A propósito, uso um só para jogar golf.
- Bom para ti, bicha!
- Tu falaste uma dissílaba.
- Me esforcei para te atingir.
- Mas não atingiu, senta-te aqui e preencha a ficha. Te vejo daqui 27 anos incompletos.
- Tchau, pá.

(Porque a vida na cabeça é muito mais dramática, absurda e divertida).

domingo, 9 de março de 2008

Eat Soup And Kill Yourself

Para quem diz que sopas são inofensivas:

1. O primeiro passo para se matar comendo sopa (ou pelo menos perder parte da boca), é encontrar uma colher maior que a tua porta de entrada para o sistema digestivo (de cima para baixo, por favor), para que se tenha os cantos cortados por uma colher disproporcional (cerca de 5mm maior que as laterais dos lábios).
2. Depois de encontrada, procure um prato raso o suficiente para que a colher não possa afundar-se completamente e tu sejas obrigado a incliná-lo, virando caldo fervente nas tuas calças novas.
3. Uma vez que os requisitos materiais estão em mãos, o próximo passo é despejar a sopa sob o prato, sempre quase transbordando, porque, caso tenhas esquecido, existe o trajeto panela-prato-mesa em tu deves ter os dedos escaldados por porções escorridas das bordas.
4. Com a arma engatilhada, dê uma generosa colherada na sopa concentrada bem no meio do recipiente, pois a temperatura do centro é mais favorável a uma queimadura de terceiro grau nos lábios, língua e céu da boca. IMPORTANTE: Não assopre a sopa, nem demore muito ao levá-la até a boca.
5. Com a boca cheia de sopa, abra-a e incline a cabeça para trás, como se fosses fazer um gargarejo, mas ao invés disso, respire fundo (nunca pelo nariz).
6. Depois de engasgar-se não tussa, isso só te fará tossir mais.
7. Se desejado, repita a dose.

Após terminados os sete passos, tu provavelmente estarás sete palmos abaixo do chão, ou pelo menos sete palmos acima, no hospital. E tenho dito!

quinta-feira, 6 de março de 2008

Claustrofobia

A cidade me parece pequena demais. Entende? Pouco espaço, para muita gente. Os carros iluminam as ruas molhadas pela chuva de verão que toca minha pele como milhões de pequenas agulhas. Ardência. Dormência. Por uma questão de segundos já não me sinto no chão, os pés estão relaxados e a mente vazia. O pulso some, o ar sai e não entra. Morte cerebral, por parte, pois os sentimentos desapareceram, mas eu ainda estou aqui. Tudo acontece, tudo batendo, pulsando, sangrando. Os segundos se arrastam.

A ambição de uma menina que quer o mundo inteiro, mas não consegue nem ter controle de si mesma. Os demônios que me criaram, hoje voltam para me tomar pelas mãos e mostrar-me tudo o que posso ser. São tantos, são multidões. Me sinto tão em casa.

Não tenho certeza de onde estou, costumava saber. Ter consciência de mim quando os primeiros raios da manhã arrancavam-me dos sonhos, e escancaravam-me os olhos me chamando para sair. Eu estava exatamente onde queria estar.

Quando não se sabe para onde vai, tudo é tão familiar e confortável, qualquer lugar serve. Mas me sinto como se a parte de mim que está com o cérebro vivo estivesse em outro lugar, um lugar que serve, não porque não se sabe para onde vai, mas porque se sabe onde está. E está exatamente onde queria.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Dama de Vermelho

Onde diabos está ela? Já deveria ter chego pelas portas da ala sul e admito que está um pouco atrasada. Não mandou cartas, nem recados, apenas sintomas, mas pelo visto, deve ter ocorrido algum problema técnico.

Mas, garanto que ela chega já, já! Não se preocupem, pessoal.