quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Títulos de Propriedade

É estranho que parece que quanto mais se valoriza alguém, mais enterram seu rosto na areia. Mais pisam na sua cabeça, esperando de todo o coração que seu crânio quebre e que tu não consigas de jeito nenhum tirar-se daquele buraco.

Quando esse ano começou eu prometi que vou dar mais valor às pessoas e confesso que estou indo bem, o resto do mundo que não está colaborando. Amigos são uma coisa muito estranha. Quanto mais perto eles estão, mais longe os queremos. Quanto mais longe, mais perto. Como ímãs que se repelem quando as polaridades são as mesmas. Pior que a saudade, o ciúme, ou até mesmo o nojo de alguém, é a rejeição. Re-jei-tar vtd 1 Expelir, lançar de si. 2 Não aceitar, não admitir. 3 Desaprovar. 4 Opor-se a; negar, recusar. Não sei em qual dos significados encaixo-me melhor agora. Sempre tento, da pele à alma, ser uma goiabada com toda e qualquer pessoa, especialmente com as que carinhosamente dou o título de amigo. Apesar da boa vontade, do sorriso de orelha a orelha e do esforço para parecer simpática, não são todos que recebem esse certificado.

Existem os amigos que parecem ser para sempre e, somem nos primeiros cinco meses. Os amigos não-fede-nem-cheira, que praticamente não fazem a mínima diferença na sua vida, popularmente chamados de colegas. E existem os amigos-de-sangue, que podem realmente ter o mesmo sangue lufando nas veias, ou apenas os mesmos pensamentos pulsando na massa cinzenta que todos temos (ou deveríamos ter) dentro da cabeça. Esses merecem o respeito de qualquer coisa que tenha um coração batendo dentre os ossos do peito. São amigos que valem seus olhos, sua língua, sua alma. São amigos que deveriam estar lá por ti em qualquer momento. Mas não estão, estão?

Sempre tive problemas em querer demais as coisas para mim, ser possessiva. Acredito ser um mal de signo. Acho que por ter tanto medo de perdê-las, sempre acabava sendo substituída, como um ursinho velho que a espuma de revestimento já lhe salta de um dos braços. Não sei se falta assunto ou se falta aparência partindo de mim, porque lealdade, tenho certeza, nunca lhes faltou.

Não sei amar, isso é um fato. Mas sei gostar demais, cuidar demais, me preocupar demais. Tudo em overdose. Não creio que exista regulagem para isso, apenas enfiar um lembrete no meio da massa cinzenta que eu tenho (ou deveria ter) dentro da cabeça: 'pessoas não têm títulos de propriedade'. Principalmente pertencentes a mim. Se tivessem, viriam encaixotadas e embaladas para presente com faixas de exclusividade de Juliana Pires.

Acho que acabei de resolver meus problemas sentimentais.



[Volte sua atenção para as mãos que lhe afagam o rosto, provavelmente serão elas que lhe quebrarão o nariz quando tudo estiver feito.]

Um comentário:

rodrigo disse...

ah eu tentei comentar anonimo
pra vc adivinha quem era
mais intao num deu
intao eu vim aqui e li td
gostei djudjuli pi ghoiahgiauehg
agora eu descobri pq do pi
pires :D
eauhgoaieughaieugoiaueg
intao falio intao
:**