sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Porcos e Pérolas

Chances desperdiçadas. É nisso que vim pensando nas últimas horas.

Não faço idéia de quantas vezes achei que uma coisa fosse um tiro no pé e justamente por olhar pelo ângulo que me convinha, deixei a chance escapar, vez por preguiça, vez por desinteresse. E o tiro que acertaria os dedos dos meus membros inferiores volta-se para o meu rosto e me atravessa ambos os olhos, fazendo-me questionar como pude ser tão cega. Nunca acho que vou me arrepender por algo, como todo o mundo acha (ou pelo menos a maioria dele, creio eu), mas penso que por pensar demais, ajo e falo de menos. Me refiro não apenas às oportunidades que se esgaçam bem debaixo dos nossos narizes, mas às que entram por ele, chegam ao cérebro e, mesmo assim, nos deixam a ver os navios partindo do porto, sem nem oportunidade de correr para alcançá-los. Ah... Essas sim são doloridas. São como 72 facadas no peito e 27 nas costas, toda estratégicamente fincadas, para que a cada golpe tu percebas teu erro e vejas que não podes consertá-lo. Não agora.

O 'tarde demais', sempre me incomodou. Tudo o que tu podias ter feito, passou na tua janela e só tu não vistes. Ou até vistes, mas não quisestes ver. Porque ver a ponte quebrada depois da curva e não avisar a quem interessar possa, ou pelo menos não pular do trem antes da queda, na minha opinião, é cegar-se. Não com os mesmos tiros que lhe acertariam os pés, mas com as mãos que seguram a arma engatilhada.

Até agora estou contando o conto como o fantoche, e não como o animador. Mas quando se é quem apulhala, e não o apunhalado... Ô! Sensação boa essa da vingança! Doce como mel, mas que por peso de consciência ou temor a algo superior, disfarçamos essa doçura e enterramos tudo em areia fofa, talvez para não se passar por ruim.

Todo mundo, um dia, se não conheceu, está para conhecer, pelo menos uma pessoa que te dá a serventia de degrau para aumentar o trono do próprio rei, na barriga. E machuca, eu sei. É como um soco no estômago, que te derruba por dias e te deixa sem vontade do mundo, em luzes de néon, o teu próprio. Costumo dizer que o certo 'retarda', mas não 'fala' e um dia o reizinho há de ficar tão gordo, que o trono se quebra, e feio. Não querendo rogar praga nesse tipo de gente, mas quando o mar está fundo e o único com um veleiro a oferecer é tu, o rei que antes vangloriava atos por sapatear nos teus pulmões, vai ver-se tão humilde e nú, que lhe pedirá espaço para entrar. Vão ser jogadas pérolas aos porcos, mas ele vai estar tão 'magro' e envergonhado, que o vento vai soprar a teu favor.

Pérolas e porcos. Quem as joga a eles, talvez nunca tenha a oportunidade de tê-las de volta contornando seu pescoço, mas sempre haverá quem ache os porcos premiados. O que eu quero dizer, é que as chances que lhe passam pelas pontas dos dedos, se deixando escapar, podem estar nos seus pés, ou beneficiando vermes nas suas solas.

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