sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Fios de Paciência

Não sou uma pessoa que gosta de falar ao telefone. Acho que foi-se a época em que me divertia falando com um pedaço de plástico junto à orelha, olhando para o nada, falando com o nada. Ou quase nada, porque mesmo tendo uma pessoa do outro lado, tu não fazes ideia de como ela está e/ou quem ela é. Quando eu chego a pegar o telefone, na intenção de apertar alguma combinação de teclas numeradas, eu estou realmente com vontade ou necessidade de falar com alguém.

Já faz alguns anos que vivo em um mundo fantasioso, que vezes me eleva, vezes me afunda. Tem quem chame de Internet, outros de Web, Net e, suas mais variadas maneiras. Eu chamo de Baile de Máscaras. Gosto do jeito que as pessoas são falsas nele e, do jeito que usam suas fantasias. Acho graça do efeito dominó das modas e de como comem cérebros de colher por isso. É um mundo como qualquer outro, com ratos e gatos. Poucas pessoas, admito. Tenho propriedade para dizer isso porque hoje sei em que caixote estou sentada, mas pouco atrás, confiava em qualquer um, apostava em qualquer um, era amiga de qualquer um. Hoje alguns qualquer-uns viraram amigos, outros viraram amigos-folha, que aparecem de estação em estação e, outros continuaram qualquer-uns, sumindo depois de um tempo.

A diferença do Baile e do telefone é a seguinte: telefone responde-se na coragem, Internet na intenção. Telefone não planeja-se, Internet esquematiza-se desde três dias o que faz-se e fala-se. Talvez não nessa certeza de horas, mas no sentido figurado da expressão. O que eu quero dizer é que o motivo de ser um Baile de Máscaras, é que tu só deixas transparecer o que lhe cabe, o que julgas bom. Só apresenta-te com boa aparência e só conversas com quem queres. Acho que por vivermos atrás de um visor, friccionando incansáveis dedos por teclas não-alfabeticamente organizadas, combinando-as, como nos telefones, mas na intenção de formar palavras e frases, que façam sentido ou não, acabando por nos fantasiar para a festa, escondendo o que somos nas entranhas. Talvez não por maldade, mas por falta de coragem. É esta a sutil diferença. No T vomitamos a coragem que nos falta no I. Apesar de ser transparente tanto na Internet, quanto no mundo real, tem milhares de palavras que os dedos digitam o que a língua jamais conseguiria soltar ao telefone ou olhando nos olhos. Quantos amores reais e, quantos virtuais? Acho que um bocado deles são dos frios e tecnológicos.

Do mesmo modo que não tenho mais paciência para telefonar, vejo-me perdendo a vontade de bater ossos de quatro das dez extremidades das mãos por teclas de plástico, como as dos telefones (que nos leva de volta às primeiras linhas), mas que são constantemente golpeadas, sem nem uma vez sequer tocar uma de minhas orelhas.

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