terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Meio Cheio ou Meio Vazio?

Nos últimos dias não tenho feito questão de engolir palavras para parecer menos carrasca. Mas venho morrendo de vontade de conversar com as pessoas. Sem compromisso. Trocar algumas palavras mais construtivas, menos vazias, dar-lhes ouvidos, saber de suas vidas. Ainda que com a mesma intensidade que desejo, acanho-me. Não tenho a cara-de-pau para chegar e perguntar as coisas assim: descaradamente, como uma amiga de infância, com memórias e segredos. Confidências.

Também não creio que eles (fora de mim) queiram compartilhar alguma coisa com ela (dentro de mim). Não sei bem ao certo o que tenho na cabeça que dê-me vontade de dividir com as pessoas que cercam-me. Chegaria eu dizendo que acredito em vida extraterrestre? Ou falando de coisas que aconteceram-me? Ou até mesmo contando sobre um amor, que na verdade, nem nunca vi? Quem iria querer saber?

A verdade é que não sou uma pessoa interessante. Não canto, não danço, não interpreto. Só penso besteira, só falo besteira e, não tenho beleza que lhe encante os olhos. Talvez por falta de interesse meu e/ou dos outros, tenho este vazio em mim. Que tempos enterra-me até metade dos olhos, deixando-me sem vontade de ver o mundo e, tempos faz-me querer buscar por algo que complete este abismo de mim mesma. Às vezes o vazio é tão grande, que me corrói o peito, abrindo os pulmões, esfarelando as costelas e principalmente moendo o coração. Deixando-me ver o outro lado, o que põe-se de pé atrás de meus ombros, sem precisar virar-me para.

Quem sabe se eu conversasse sobre isto com as pessoas, conseguisse encontrar algo que enchesse-me, suprisse-me, satisfizesse-me. Acabando com este espaço que descarna-me de dentro para fora. Aproveitando tudo ou, até mesmo, nada do que me dizem, mas tirando minhas próprias conclusões e, completando-me sozinha. Porque por mais que o vazio, por vezes, enterre-me, enterra-me somente até metade dos olhos, para que eu nunca esqueça de que deve-se acreditar em metade do que se vê, mas em nada do que se escuta.

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