quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Limpo

Sempre gostei de coisas novas, mesmo elas não tendo ainda o valor sentimental que irão adiqüirir em breve, ou não. Os cabelos das bonecas recém-tiradas da caixa, as roupas que acabaram de ser compradas, os sapatos novos e até mesmo os cadernos e lápis que esperam o início das aulas organizadamente nas cores do arco-íris. Tudo com um cheiro muito específico, que logo se mistura com o de pele habitual, perdendo o gostoso do novo e, assim, deixando de ser.

O novo quase sempre vem acompanhado pela perda. E talvez seja esse o motivo de sempre ter quem torça o nariz se o assunto é mudança. Quando mudamos de casa, o pensamento de abrir a porta de um lugar não familiar, atiça as borboletas do estômago, talvez não por ansiedade, mas por receio. Receio é justamente o outro lado das algemas, que se prende ao que não queremos deixar.

Recusar o novo, é como um passarinho não querer bater asas para voar. Não querer mudar é um mal do ser humano, que mora debaixo da asa da mãe porque lhe convém, até que o espaço fique pequenino demais para tanta curiosidade e a mãezona canse de prender a cria onde os olhos alcançam. Embora com a visão turva pelo sentimento que lhe transborda o coração e lhe verte dos olhos, deixa claro que o lugar sobre a pele, peitos e os ossos, sempre vai estar disponível caso um dia queira voltar. E sempre esperamos não voltar porque seria uma mudança regressiva. Tipo, deu de entender?

Voltando ao que nos traz até aqui: apesar de gostar de coisas novas, sempre as prefiro velhas.



[Sempre que te oferecerem uma coisa, aceite. Por comodidade ou educação. Não se sabe se vai ter uma outra oportunidade para recusá-la.]

Um comentário:

Max disse...

o sentimento de perda é tão brutal como o de saudades, mas no final tudo acaba voltando ao normal.Pelo menos é o que todos esperam ;D