quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Entrelinhas

- Sabe, eu acho melhor darmos um tempo...

(Tá indo embora, não? Eu tinha certeza que um dia isso iria acontecer, sempre acontece e, sinceramente, ninguém admira-me que parta, exceto tu.

O que aconteceu com as frases de 'para sempre' em quatro línguas diferentes? Quantas línguas. Quando eu olho para ti, tudo que eu consigo enxergar são dois olhos de vidro e um coração de carne fria. Quanta neve. As mãos que trançavam-me os cabelos e, sacudiam-se num 'até logo', hoje sacodem-se em um 'até nunca'. Quanto tempo. Das bocas que diziam coisas bonitas até calarem-se uma na outra, hoje cospem-se dentes em ofensas, que não me sinto mal em dizer. Quanto desgosto. Minhas mãos que lhe afagavam o rosto, hoje desejavam mais que tudo lhe cortar o ar e os dedos, que antes etrelaçavam-se nos meus. Hoje, só um (dos meus) se mantém de pé: o do meio. Quanta certeza.

Isso não é um 'até logo', definitivamente, é um adeus.)

- Ótimo.

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