domingo, 10 de fevereiro de 2008

João Poeira

Coisas que adoçam-me a boca, jogam areia nos meus olhos. Quem dera fosse pó. Do sono. Que fizesse-me dormir para sonhar com coisas que fazem-me curvar os lábios tanto para cima, quanto para baixo. Gosto de ver o absurdo e o diferente, juntos, como unha e carne. Saber o que se diz respeito amar. Descobrir dois infernos do mesmo mundo e, o caos do intocável. Entender tudo pelo teu lado, viver onde tu vives e ter a alegria de ver-te todas as manhãs.

Tu nem sabes o meu nome.

Queria deitar em campos escuros de mundos desconhecidos, olhar peixes que voam por mares acima de céus estrelados. Dar à todas as criaturas a tua face, para que florescessem mais flores da cor azul. Azul turquesa, como o vestido que comprei para agradar-te os olhos. Agradei, por fim, olhos alheios, pois os teus estão fechados, sempre fechados para mim. Quisera eu que estivessem fechados para sonhar, porque nos sonhos posso encontrar os olhos teus. Abertos, ainda que ausentes.

Quis-te para sempre, mas não acredito que isto seja, algum dia, amar.

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