segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Cadeiras de Um Braço

Foi como chegar em um mundo diferente, ignorando totalmente os nove anos que passei ali até então. Me viu crescer, chorar, brigar, brincar. Viu amizades nascerem e morrerem e amores secretos serem revelados. Malditas sejam as paredes daquele colégio! O que aconteceu às cores das salas e às carteiras? Agora só tenho sob a bunda uma porcaria de cadeira de um braço, onde nem cabem meus desenhos inteiros, deixando coelhos com metade das orelhas e caveiras sem maxilar.

Não sei bem como explicar o que aconteceu quando passei pelos portões azuis. Eram os mesmos de todos os anos, mas não me sentia um 'tijolo do pilar' como diz o hino do colégio. Não entendo o que possa ter mudado, mas até os rostos familiares são-me estranhos e, naquele mundo de gente, a única que parece não se encontrar sou eu.

A sala é grande, acho que até demais. Não ao ponto de fazer vozes ecoarem, mas o suficiente para me deixar afundar nos próprios pensamentos. Tem algumas carteiras vazias, como se esperassem por alguém que não chega. E as pessoas... Elas são tão... Incomuns, que quase fazem-me questionar se ainda estou sob o mesmo teto que me conhece desde o tempo em que minha mãe me colocava as camisetas por dentro das calças e cortava-me os cabelos na altura dos ombros. Elas, em boa parte, vieram de salas diferentes para preencher o lugar de alguns dos meus, que faltam-me, por incompetência ou escolha. Lugares que sobram. Algumas se esforçam para parecer simpáticas, mas não são, escolho, por fim, limitar-me a dois, que por tempos tenho ao meu lado.

Regalias aumentaram, mas por vezes desejo ter oito anos de novo e ansiar a volta às aulas, sem a mínima preocupação com provas, muito menos com que meus amigos estivessem lá. De certo modo não me sinto mais em casa.

189 dias, minha cara, só mais 189 dias.

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