quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Acefalia

Hoje eu descobri que são 695. Não fazia idéia que fosse tanto, nem que fosse tão pouco. Não sei o que saber disso me acrescentou ou, vai acrescentar-lhe ao ler. Pouco, com certeza. Mas já falo do pouco com intimidade, pois poucas são as esperanças. Muito menores agora. Muito maiores do que daqui algumas horas. Muitas são as horas. Poucas.

Desgraça de burrice, de destino, de cabeça. Não tenho ao certo quem culpar, então, culpo a mim mesma como castigo de tal façanha.

Gosto de falar do sofrimento, do melancólico, ver as palavras se arrastarem por linhas inacabáveis, como um deserto que não vê-se o fim. Carregando um peso a cada letra. Não entendo o motivo, mas vejo certa beleza na dor, na culpa.

De uns tempos para cá, estou como um doutor de guerra: sem paciência e, a vontade de falar com as pessoas, que me arrebatou nas horas que ficaram para trás, está esvaindo-se.

Não queria perder, mas perder é uma coisa que se aprende com o tempo. Um dia vamos descobrir que a vida é uma corrida e, que sempre vão entrar pessoas na tua frente e sempre vão ter pessoas atrás de ti. Umas guiam, outras seguem. Queria ter um canhão para arremessar-me para o fim da linha, ver como termina, quem perde, quem leva o troféu. Poder ver se é como eu queria ou, como deveria. O 'foi porque era para ser' sempre me confortou, apesar de não ver sentido nestas cinco palavras que inventaram para argumentar fatos que são realmente, desculpem a expressão, FUDIDOS e não tem-se o que fazer (ou falar).

695. Mais que o triplo do que eu posso viver, menos do que o tempo que eu levaria para dizer, que por mais que eu não entenda, sei que tens alguma coisa que algema-me os pés. E não chamaria isto de paixão, porque se estivesse, alguma vez, apaixonada, estaria sem os olhos. E estes, tenho certeza que ainda estão cravados em minha face.

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