quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Two-ow-ow-nine!

"Então, esse é o Ano Novo e eu não me sinto nem um pouco diferente.
O tilintar do cristal, explosões distantes.
Então, esse é o Ano Novo e eu não tenho nenhuma resolução para a pena que eu mesma assinei para os problemas com soluções fáceis.
Então, todo mundo coloque seu melhor terno ou seu melhor vestido,
Vamos fazer de conta que somos ricos só desta vez.
Soltando fogos de artifício do gramado da frente,
Enquanto trinta diálogos difundem-se em um só.
Eu queria que o mundo fosse plano, como nos velhos tempos
Assim, eu poderia viajar o mundo apenas dobrando um mapa.
Sem aviões, ou tens-bala, ou auto-estradas
Não haveria distância para nos segurar.
Então, esse é o Ano Novo."


(Eu tenho o melhor pai do mundo. E essa é minha última chance, este ano, de te fazer entender.)
(Já são 02:15h do dia 31, então já é o último dia do ano, o blog que é uma bicha.)

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Palavras

Elas não são mais do que um soco na boca. E não, elas não me machucam mais.

domingo, 28 de dezembro de 2008

431

"- Vamos ver... Onde estou eu? - perguntou Alice para si mesma. Os sinais do caminho não ajudavam muito. Eles apontavam para todos os lugares.

Então, ela ouviu alguém cantando, e viu um par de olhos e uns dentes brilhando acima de sua cabeça. Devagarinho, o resto do corpo apareceu como que num passe de mágica!

- Ora! Você é um gato!
- Gato Risonho! - respondeu o gato antes que desaparecesse outra vez. Tudo que ficou dele foi seu sorriso malicioso. Alice achou tudo tão maluco que ela mal pôde perguntar em que direção deveria ir.
- Isso depende para onde você quer ir! - disse o Gato Risonho.
- Isso não importa realmente. - respondeu Alice.
- Então, também não importa o caminho que você escolher. - disse o Gato Risonho.
- Todavia, se está procurando pelo Coelho Branco, você deve perguntar pelo Chapeleiro Louco."


(Preciso achar o meu Coelho Branco, mas, onde tá o meu Chapeleiro Louco?)

domingo, 21 de dezembro de 2008

"Take me on a trip I'd like to go someday
Take me to New York,
I'd love to see LA
Take me to Chicago, San Francisco Bay
I really want to go kick it with you
You'll be my american boy"

sábado, 20 de dezembro de 2008

Se é que me entendem, quero dizer, de novo.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Se é que me entendem.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

03:03

Dizem que quando as horas e os minutos são iguais, se pode fazer um pedido ou que tem alguém pensando em ti. Por via das dúvidas, sempre fiz um pedido, porque se existe mesmo alguém pensando em mim quando os horários se igualam, nunca me importou realmente.

Deixei de ser supersticiosa quando notei que isso não influenciava minha vida de verdade, e que não mudava nada se eu passasse em baixo de uma escada ou quebrasse espelhos. A única superstição que passei a acreditar desde então, é a que diz que a gente faz o nosso próprio destino.

Minha irmã me disse esses dias: "Eu acho que destino não é que tudo o que acontece é predeterminado, eu acredito que existem certas coisas que devem acontecer na tua vida, mas o caminho que tu fazes pra chegar até elas, é tu que escolhes'. E daí a charada tinha sido resolvida.

Percebi, então, que não preciso dos pedidos do relógio, posso guardar meus pedidos para mim e dar meu jeito de conseguir trazê-los para a realidade, sem dar nenhum mérito aos minutos que imitam as horas, porque eles não vão fazer que tudo se ajeite quando os ponteiros marcarem 03:04.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Chutando o Balde

Já dá de ficar de pé, acho. O lamaçal tá secando e o lodo nem é tão fundo assim. E eles falam, quer dizer, eles falam tanto, que eu parei de me importar. E isso é o mais explícito que vai ser, então é bom começares a aprender a ler as entrelinhas. Está tudo na tua cara, basta que tu olhes do ângulo certo.

Subestimaram muito, então vou mostrar do que eu sou capaz, até onde eu posso ir. Não sou mais a menina no banco do passageiro.

sábado, 13 de dezembro de 2008

domingo, 7 de dezembro de 2008

Viagem Noturna


Eu estou dando tempo ao tempo. Eu sei que isso é a coisa mais cliché que alguém conseguiu dizer e, que talvez no dia que foi dita realmente fez sentido, mas eu não consigo transformar meu cérebro em outras palavras além destas.

Eu entendi o verdadeiro sentido das coisas. Percebi o quanto a gente precisa se esforçar pra ter o mais medíocre que a vida tem para oferecer. E, sinceramente, não estou selecionando nenhuma palavra, estou simplesmente escrevendo o que me vem à cabeça, só me policiando para não dizer mais do que deveria, então provavelmente o que eu escrever aqui não vai fazer o menor sentido.

São 04:59am, o dia já começou oficialmente, mas os raios de sol ainda nem se mostram, nem um pouquinho, por trás dos prédios. Não consigo pregar os olhos, também nem quero. Me decidi a tomar café, varar a noite e ver o sol subir lentamente, colorindo o céu com aquelas cores que nenhuma marca de lápis de cor vai um dia conseguir imitar. Vou deixar que cada célula do meu corpo se ilumine com a delicadeza de cada faixo de luz amarelo que vem do céu. Deixar que essa luz dê cor ao que está morrendo lentamente. Todo mundo morre lentamente.

Não estou me importando com o exterior, aliás, há muitos anos eu parei de me preocupar neuroticamente. Não nego ataques de pelanca, não mesmo, mas larguei de mão me importar com o que eu vou ouvir de quem passa por mim na rua. Voltei a minha atenção para o interior, treinei meus olhos para verem o coração das pessoas e obriguei meu cérebro a usufruir de tudo o que os meus ouvidos escutam. Abri uma porta em mim que há muito estava fechada, que a poeira comia de cima a baixo e que os raios de sol, os mesmos que daqui um pouco vão arrancar o papel de parede preto que cobre tudo acima de qualquer um nessa cidade, não ousavam penetrar.

Abri as cortinas. Do quarto e da alma. Espero que a manhã venha logo, preciso mesmo iluminar tudo por aqui. Trazer clareza para os meus objetivos e se tem alguma coisa que eu possa cair de joelhos para pedir, é determinação.

Entreguei aos ventos as palavras de amor. As substituí por música. Completei o vazio com palavras alheias, com vozes famosas, com bends de gaita, acordes de violão, solos de guitarra pegajosos e melodias embaladas. Criei um mundo irreal com as palavras dos outros. Projetei os filmes frente aos olhos, como se acontecessem constantemente pelas ruas da cidade. E nem fiz questão de ser a protagonista.

05:10am. Da minha janela só enxergo três luzes acesas nos prédios. Ouço o movimento começando nas ruas, embora o sol ainda não queira mostrar o que ele vai me trazer hoje. Os pássaros cantam. E como eu queria que alguém fizesse ideia de como eles me enchem de vontade de viajar sem rumo! O canto deles vale mais do que mil bends, acordes e solos pegajosos.

O sol nascendo me dá vontade de ter asas. Asas enormes que pudessem abraçar todo e qualquer canto da cidade, que pudessem refletir cada partícula de luz que veio flutuando do espaço e ainda assim deixar elas iluminarem meu peito, através de mim, mandando embora o que eu trago de ruim aqui dentro.

Parece que o sol vai demorar ainda, mas como eu estou dando tempo ao tempo, não me custa dar tempo ao sol também. Tudo acontece exatamente no horário planejado. Isso é o destino. E se algum dia me perguntarem de novo se eu acredito nele, eu vou responder que, definitivamente, sim, sem dúvida nenhuma.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

- What about the stars in the sky?
- Oh, man, how I wish I could turn them all off right now.


- Why?
- They don't deserve us looking at them tonight.




(Pela primeira vez na história, a sorte do Orkut tá completamente certa).

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Caixa de Suco

Dentro da minha cabeça existem milhares de vozes, que me sopram coisas aos ouvidos constantemente.

Dizem-me sobre o que eu deveria fazer a respeito da minha vida, contam-me fatos que acontecem quando eu estou ausente, apontam-me em qual pessoa eu deveria confiar. Elas me perturbam. Atrapalham. Talvez por serem tantas.

Elas mudam frequentemente. Gritam, choram, gargalham, suspiram, rosnam, tossem, assobiam. Elas mentem. Mentem muito sobre o que tu pensas. Dizem que sim, dizem que não. São quase tão indecisas quanto a dona da cabeça. Talvez sejam pessoas diferentes.

Algumas riem do que acontece, outras do que ainda está para acontecer. Debocham, zombam. Vozes ridículas! Tiram-me o sono durante horas, falam tão alto que os olhos custam a fechar. As vezes queria que elas sumissem. Deixassem-me sozinha em mim, fazendo com que meus pensamentos ecoassem dentro da caixa craniana.

Elas andam dizendo muito sobre ti, como sempre, mas coisas relevantes. Espero que estejam certas.


E se tu perguntas o que as vozes me dizem, eu respondo que te deixo escolher.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Currículo

(- Ei, Jô, não sei o que botar no meu currículo.
- Põe qualquer coisa. Olha esse filme aqui, me disseram que é tipo Bruxa de Blair...
- Credo, falando nisso, acho que se fosse eu ali no Bruxa de Blair, eu ia apavorar! A hora que ela chega na casa da bruxa e tá o cara de frente pra parede e tals...
- Queria ser a primeira a morrer, cara!
- Pô, eu também. Acho que se eu sobrasse, ia ficar batendo com a cabeça numa árvore até morrer, ou me afogar num rio... Não sei...)



Inteligente e extremamente racional em momentos de desespero.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Hipnose

A garota, o garoto e o velho cego. Todos sentados em uma cerca. A garota sussura ao ouvido do garoto:

- Às vezes eu fico pensando aqui: deve ser triste para ele, sentir o sopro do vento no rosto e saber que se está diante da imensidão do céu e não fazer ideia nem de como a cor azul é.

domingo, 30 de novembro de 2008


Tô esperando para me mexer na hora certa, porque eu realmente quero te ver de novo.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Mesa de Cirurgia

Por favor, pulmões, não deixem que eu perca o ar. Deixem-me concluir tudo o que eu preciso muito que saia aqui do peito.

Por favor, coração, tentes bater menos forte. Impeças minhas bochechas de se tornarem vermelhas e meus ossos do peito de lutarem para permanecer juntos.

Por favor, músculos, cuidem para que meus impulsos sejam segurados. Não permitam que eu me atreva a tomar decisões precipitadas, mesmo que isso signifique virar as costas e ir embora. Não antes de cumprir minha missão.

Por favor, cérebro, guies minhas palavras por caminhos sensatos e não toleres que eu hesite, nem ao menos uma vez.

Por favor, língua, que te controles, mas que te coordenes para não me privares de dizer tudo o que eu preciso.


Por favor, boca, eu te imploro que funciones e me deixes falar. Me deixes dizer o que eu sinto. Me deixes dizer que ele vive dentro destas cicatrizes.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Não sabes cantar

Eu disse que não, quando na verdade eu nem fazia idéia do que eu estava falando. As pessoas fizeram um círculo. Todas me encaravam, esperavam mesmo por algo mais. Acho que qualquer um esperava.

E não foi só em mim, acho que vários ali sentiram o soco no estômago, embora tenha sido eu a única a cair de joelhos. E, sinceramente, a briga já estava perdida há tanto tempo, que o golpe final foi só para provar mesmo que não dava mais. Levantaram a toalha branca.

Deu pra ti.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

I roll the window down
And then begin to breathe in
The darkest country road
And the strong scent of evergreen
From the passenger seat as you're driving me home.

Then looking upwards
I strain my eyes and try
To tell the difference between shooting stars and satellites
From the passenger seat as you're driving me home.

"Do they collide?'
I ask and you smile
With my feet on the dash
The world doesn't matter

When you feel embarrassed, then I'll be your pride.
When you need directions, then I'll be the guide.
For all time.
For all time.

domingo, 23 de novembro de 2008

sábado, 22 de novembro de 2008

Se não afundar antes...

"Chame o exército dos arquitetos
Para derrotar o horizonte e começar tudo de novo.
Eu sabia que os anos passariam rápido,
Mas não tão rápido assim.
Então, traga as discrepâncias, eu servirei as bebidas."

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Trincheira

A chuva caía forte, formando várias poças pelo campo de batalha. A roupa ficava cada vez mais pesada e a farda difícil de carregar. Não lembro bem ao certo o momento exato em que aconteceu, mas os dezesseis soldados, um a um, começaram a baixar as armas.

O general esbravejava enquanto via seu minúsculo exército cair por chão. Exausto. E não importava o quanto o caudilho berrasse os pulmões, ninguém levantaria.

Os olhos cansados dos militares viam seu objetivo próximo, e nem sequer podiam mover uma partícula de músculo para arrastar aquele monte de pele, carne e ossos pelo chão enlameado da área de combate. Via-se passar correndo milhares de outros soldados que, em meio explosões e tiroteios, chegavam ao outro lado do enorme muro de arame farpado.

A voz do cabo de guerra ecoava dentro das cabeças, junto ao som das gotas de chuva, que mais pareciam um bombardeio aéreo do que água caindo do céu, mas nunca atingia o alvo principal.

O que mais poderiam fazer quando a força bruta estava esgotada e a mental não respondia?

quinta-feira, 20 de novembro de 2008



Can you tell me why you have been so...

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

9 770104 593005

"A gargalhada incessante, ecoando pelos corredores de aço, é suficiente para qualquer um duvidar da existência da sanidade... E, em meio a tantos gritos, gemidos e sussurros... tanta paranóia, ninguém percebe que este lugar está longe de ser um asilo. É pura e simplesmente um manicômio. Assim sendo, o controlador de tal lugar deve ser considerado uma pessoa sana... ou o rei da loucura? Nós chegamos a pensar se a loucura em si, não é contagiosa, capaz de abalar a normalidade. Se for o caso, então já fui infectado pela insanidade presente em meu hospício. As gargalhadas se tornaram meu mundo, e invadem minha mente, onde ecoam mais alto ainda... pedindo desesperadamente para sair."

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Cerúleo

Os olhos se fecham e se abrem. E o intervalo de tempo entre aberto e fechado se estreita até que estejam constantemente juntas as pálpebras, e os cílios entrelaçados como dedos em mãos dadas. Os músculos da face todos relaxam. A mente esvazia, assim como os pulmões a cada dois segundos. Além disso, só o azul. Azul em vários e vários tons diferentes, rasgado de pontos luminosos aos milhares. Todos de cor branca. Cintilam.

Os cabelos ondulam. Os pulmões se enchem e assim permanecem. A mente se abre, como os olhos. As pernas e pés sacodem-se delicadamente, impulsionando o exausto corpo em direção ao nada inscrito em azul. Os pontos luminosos se dizem pequenas criaturas. Ainda cintilam.

Abaixo vê-se o azul marinho transformar-se gradualmente em negro denso e os minúsculos e luminosos seres criam todo o cenário de um céu abaixo dos pés, que continuam a sacudir-se. Acima, ainda que muito, muito longe, vê-se luz, que se eleva e se desloca em ciclo descontínuo.

Falar de sons agora seria irrelevante, uma vez que a mente só consegue processar a mesma voz familiar que repete a mesma frase pausadamente: "eu quero ouvir o que tu tens a dizer".

domingo, 16 de novembro de 2008

Titânio

"Era o navio dos sonhos para todos os outros. Para mim, era só um navio.

Por fora, eu era tudo que uma garota bem educada deveria ser. Por dentro, eu estava gritando".

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Odd

Ela caminha olhando para o céu.
Ele para o chão.
Na cabeça dela, ele.
Na dele, nada.

E só.

4 de Novembro

4 de novembro de 1493 - Colombo e seus marinheiros descobrem o abacaxi.
4 de novembro de 1901 - Jurados do Aeroclube da França decidem declarar Santos Dumont como vencedor do prêmio Deutsch.
4 de novembro de 1916 - Nasce Ruth Handler, criadora da boneca Barbie e co-fundadora da companhia de brinquedos Mattel.
4 de novembro de 1918 - O Império Austro-Húngaro rende-se para a Itália.
4 de novembro de 1921 - A Sturmabteilung é formada oficialmente por Adolf Hitler.
4 de novembro de 1922 - O arqueologista britânico Howard Carter e seus homens acham a entrada para a tumba do Faraó Tutankhamon.
4 de novembro de 1956 - Milhares de húngaros são mortos e inicia-se um fluxo de refugiados, numa invasão das tropas soviéticas à Hungria.
4 de novembro de 1969 - Nasce o rapper estadunidense P. Diddy.
4 de novembro de 1992 - Nasce Juliana Fuhrmann Pires.

domingo, 2 de novembro de 2008

1234, 1234!

"Look around little brother, can you tell me what you see?
You're a big boy now, so take responsibility,
You never had it hard, but now it's getting tough,
So you whine! Whine! Whine! And you say you've had enough.
You say I'm full of shit, that I'm a hypocrite
I shouldn't talk when I can't take the advice that I give,
Well maybe you're right, but open your eyes:
The main difference here is that I try! Try! Try!"

(Tá, desisto dos posts melancólicos, tô bem hoje e meu cérebro tá sendo treinado para contas simples. Eu ri.)

sábado, 1 de novembro de 2008

Entrelinhas + Conversa Intramental 2

- Mais uma partida de poker, Srta. Juliana?
- Claro, por favor.


(Se fizessem idéia do quanto eu odeio essa cidade e essa gente, fariam o tempo correr. Preciso ir embora daqui. Fato.)

Luminosos

Coberta por metade, o quarto se ilumina em um alaranjado, tonalizando as paredes roxas em um rosa desbotado e fazendo-me lembrar o pôr-do-sol.

O coração está apertado, os olhos encharcados e a cabeça dói uma dor de cansaço. Quanto desgosto, meu Deus! Quanto desgosto pode caber em um pedaço de carne rija que certamente não tem mais que doze centímetros.

E eu não quero saber, eu definitivamente não quero, porque sinceramente não me interessa. Não hoje, nem amanhã, talvez nem depois.

Enquanto a mágoa e o desprazer corroem o interior, o exterior parece desvairado, como um rebanho que foge de um lobo faminto, mas por partes ausente, porque tem mais com o que se preocupar e, além do mais, as coisas não são tão fáceis? Não.

Os olhos vão se fechar, a mágoa vai sumir, a dor vai passar e o coração vai pulsar como antes e, talvez eu nem me lembre disso depois. Não pretendo acordar antes das sete. As cortinas vão estar fechadas e o telefone desligado. Nem o sol será permitido nessa manhã de Sábado. Muito menos vocês.

Cansei dessa palhaçada imensa e contínua.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Fantasia

Minhas palavras levam mais do que apenas vogais e consoantes.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Pássaros

O fim do ano chega voando, não docemente como as andorinhas que começam a enfileirar-se nos fios dos postes anunciando verão, mas como uma ventania entre as ruas da cidade - talvez até a mesma que me fez perder os óculos.

E eu me sinto completamente impotente ao ver meu castelo ser constantemente golpeado, reduzido a mais um monte de areia, se igualando ao resto da praia e que, em uma onda ou outra, vai voltar a ser o que era e passar despercebido.

Acho que é medo, medo de perder o que eu conheço, de correr em algum caminho novo. Medo de soltar as mãos, de tirar as rodinhas da bicicleta. Medo de ver que é tudo muito maior que o meu umbigo e de perceber que talvez eu pudesse ver além se não estivesse tão preocupada procurando meus óculos.


E os pássaros, eles são milhares e sabem se alinhar, se ajeitar, formar uma organização perfeita sem traços, sem mapas, sem apoio para se guiar e sempre chegam exatamente onde querem, onde deveriam. Instinto.

Eles não cantam.

Eu realmente deveria fazer o mesmo. Só me dê o tempo de as asas crescerem, e eu prometo que as coisas vão se encaixar.

Eles não cantam mais. Não por falta de voz, mas por falta de motivação.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

0.5 0.5

Pare de mexer as folhas que eu estou tentando ler. A caligrafia não é muito legível, sem óculos principalmente.

Não me lembro de muita coisa, só lembro de ter os perdido em algum lugar entre aqueles dois prédios que, de onde eu estava, pareciam do tamanho do mundo, engoliam tudo em volta como um par de furacões devastando a cidade.

Os papéis voavam.

Eu tentava ler, ainda.

Já mencionei que perdi meus óculos?

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Abre-te Caixa!

É incrível como se a gente revira tudo, encontra coisas que eram tão valiosas, e que hoje em dia não têm mais tanto valor. Ou aquelas que foram jogadas em uma caixa por descaso e hoje têm uma importância imensa.

Vasculhei minhas velharias hoje. Achei coisas que não via desde que eu tinha 6. As cartas, os brinquedos, os papéizinhos trocados... Quantas dessas pessoas já sumiram daqui? Quantas eu nunca mais nem vou saber sobre, mas que naquele momento, irrelevante nestes dias, significaram tanto? Tanto que sumiu.

Ainda posso te mandar duas cartas. Os anos passam e como mágica, as caixas se enchem de lembranças. Dentro da cabeça, dentro do armário.

O fim do texto foi removido, na verdade faltam palavras, como em alguns papéis rasgados que encontrei. Quem sabe seja bem melhor que não saibas a resposta exata para 'tudo bem por aí?'.

(Vou fazer falta, assim como tu me fazes nesta tarde nublada de Outubro).

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

terça-feira, 14 de outubro de 2008

"I know the truth:

There's no going back.

You've changed things ... forever.

See, to them, you're just a freak."

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Beco

O cheiro é extremamente forte, antes deixasse apodrecer por si só. A inútil tentativa de queimar os restos mortais daquilo que um dia foi bonito só acelerou e aproximou as sirenes de luzes piscantes.

O tempo para pensar é curtíssimo, mas parece uma eternidade até que a errante idéia de juntar o que sobrou do corpo chamuscado dentro de um saco de lixo apareça. O nojo é quase inexistente e a frieza é o que mais me chama atenção nesta visão triturante.

As pernas não respondem à necessidade excessiva de correr. Os pulmões não conseguem acompanhar o ritmo do coração, que bate acelerado. Os olhos marejados não são dissimulados, pela primeira vez em anos. O arrependimento derruba o frágil corpo que é constantemente perturbado por um cérebro mais perturbado ainda.

Talvez fosse melhor não ter tentado esconder os grandes pedaços de carvão orgânico. Não consegues perceber que foi só um adiamento?

Ouve, as sirenes se aproximam.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Àqueles Que Me Odeiam

Dou-lhes razão. Não poderia considerar-me uma pessoa sensata, pelo fato de não ter como fugir da insanidade que por muitas, muitas vezes foi a única que permaneceu ao lado meu. Tenho, ainda que pouca, maturidade para julgar quando meus atos estão corretos, mesmo que vocês não tenham a decência para julgá-los errados, pois não conseguem dar um passo sem precisar segurar-se no rabo dos outros elefantes.

A pedra no sapato tem minhas iniciais e, se querem mesmo saber, eu me divirto muito ao ouvir das mentiras que me contam, das bobagens que me falam, das promessas falsas que me fazem e das risadas que ecoam às minhas costas. Pensaram que eu não soubesse? "Tentando enganar uma trapaceira, amigão? Vocês me fazem rir!"

Àqueles que me odeiam: o dia em que se livrarem de mim e o espaço da pessoa que vocês precisam odiar ficar vazio, talvez percebam que por me odiarem tanto, eu já sou parte de vocês.


Porcaria de Tenerife!

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Macacos

Macacos só falam de macacos. Macacos só falam com macacos. Macacos acham que não comer banana é grande coisa. Macacos acham que um polegar opositor é grande coisa.

Macacos mordem. Macacos pulam. Macacos fazem cocô.

Afastem-se da jaula dos macacos. São só macacos.

domingo, 14 de setembro de 2008

sábado, 13 de setembro de 2008

"Quer Saber? Que Se Foda, Hoje é Sexta!"

Ontem o dia foi uma maré de azar só. Começando pelo atraso costumeiro. Me arrumei rapidão, fui para a escola e tudo mais. Passei a manhã todinha estudando para as quatro provas que eu faria a tarde.

Perto do almoço começou a chover e eu ainda tive de andar até a casa da minha avó. Voltei para o colégio e cheguei lá molhada, mas menos do que se tivesse ido sem a sombrinha que a minha avó me emprestou.

Fiz as provas e PUXA VIDA! Não sei fazer P.G.. Mas enfim, saí tonta da segunda chamada e na volta emprestei a sombrinha, que já era emprestada, para uma amiga minha e vim 'protegida' com o capuz do casaco. Na metade do caminho já estava sem o capuz porque minha cabeça já estava tão molhada quanto o mesmo e meus tênis quase tão encharcados quanto minhas roupas e meias.

Sempre pego um atalho que não pode ser pego por causa das cerquinhas que protegem a grama, mas estava chovendo e eu não queria andar, não queria mesmo. É aí que passa uma viatura e SURPRESA! Ande mais um quarteirão na chuva! Quebrei o vidro do meu relógio num portão e depois de guardá-lo na mochila, percebi o quanto estava desprovida de tecnologia: sem celular, sem MP4 e agora sem relógio. Como se não bastasse tudo isso, ainda tranquei meus dedos na secadora.

Antes má sorte do que sorte nenhuma.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

A Guerra

Tu caminhas em minha direção, e a cada passo teu vejo mil soldados vestidos de preto rugirem em um coro, enquanto os tanques de guerra esmagam tudo mais aos teus pés. As lentes dos teus óculos refletem os olhares para aquela imensidão que chega sem som algum para os ouvidos alheios. Os meus, por outro lado, estão ensurdecidos com as explosões que causas aos meus olhos.

Meu exército é rubro, como o sangue que espirra dos desafortunados que cruzam teu caminho. O progresso das tropas da minha nação é leve, passaria despercebido se a guerra não fosse entre nós dois apenas. Meus braços cansados miram rifles aos milhões e eu sou um exército em uma só. Eu sei que eu consigo fazer isso.

Quando os caminhos não têm mais espaço para se divergirem, e as batidas dos tambores já soam descompassadas, para corações descompassados, em uma marcha descompassada, em um momento do tempo em que o mundo todo está descompassado, meu uniforme vermelho mistura-se com o teu inicialmente preto. Uma única cor.

O silêncio me enlouquece e tu não me escutas gritar as dores de uma perda maior. Uma perda tão grande, que precisa de milhões de soldados para que caiba em uma só pessoa. E o que me resta é o vazio no peito, literalmente, porque meu coração já nem me pertence mais.

Superboy, Supergirl

"Oh, I've got a question for your Superworld: What gets you through? Who gets you past? And how do you fly so fast? Oh, is it the fame? 'Cause everybody knows who you are? Well, it can't be the same, 'cause I hear you're from outer space, pretty far.

Superboy's got his problems, and Girl's got her hang-ups, and I know that it can't be easy to be Superboy in a messed up world, these days. Or a Supergirl in a thankless world, these days.

I said, 'Please, don't let them get you down, because you're the only superheroes in our town!'."

[Tullycat]

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Pegue a Capa. Vista a Capa. Voe

"Eu disse que eu sairia num vagão para fora dessa cidade, fora dessa mentira para encontrar a confiança e a esperança que eu perdi em mim em 2005, mas eu saí? Teria um Segundo Capítulo se eles não tivessem deixado a Estrela da Morte viva? E eu deixei? Deixei?

Se 'uma canção para' fosse minha justificativa para as introspectivas coisas que eu escrevo, então esse é o máximo que alguém vai ouvir sobre a minha vida pessoal. Então por que? Se as desculpas que eu te devo são tão públicas quanto as estrelas no céu. "Se eu, se eu..."

Tu sabes que eu quero ser alguma coisa importante, entende? E eu quero voar como uma pipa no céu. Tu não precisas de um grau pra desfazer essa melodia, mas essa aqui não é para ti."

[Get Cape. Wear Cape. Fly]

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Travesseiro

As pessoas dentro da minha cabeça me cumprimentam, me estendem a mão e me afagam o cabelo enquanto meus olhos permanecem fechados, mas sempre que eles se abrem, elas não estão lá.

Elas me sussurram algumas coisas que eu não consigo entender claramente, elas sorriem. Quando eu entendo, falam sobre flores, falam sobre nuvens, sobre coisas que eu não compreendo. Comentam sobre o futuro, mas eu finjo que não escuto.

Acho que por isso elas gritam de vez em quanto, extremamente alto. Fazem meus olhos escancararem no escuro do teto, perceber que se foram mais uma vez, e não poderia dizer que escuta-se os grilos do lado de fora, pois tudo que escuto são vagabundas brigando e as buzinas dos carros que nunca, nunca cansam de passar.

Fecho-me de novo. As paredes somem e os céus azuis são intermináveis. As pernas se movem e o balanço do mar me faz esquecer do que se passa fora dos meus ouvidos, fora das cortinas de pele que me cobrem os olhos. E as pessoas ainda estão aqui, elas sempre estão aqui. Elas cantam e chamam por mim, não gritam comigo, gritam por mim. Mas eu não quero. Eu não vou.

Navegam. Naufragam. Afundam.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Se você olhar duas vezes

As paredes mudam de lugar e as pessoas parecem diferentes.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Cordas Vocais

Podes ouvi-los gritar? É o teu nome que eles gritam. E mesmo que não gritassem, saberias que chamam por ti. Porque cada grito ecoando tem em si as letras que te nomeiam. E cada nome que é bradado encontra destino em teus ouvidos. E eu sei que é verdade, porque eu sou a única pessoa que sabe que tu não és um, és milhão. E mesmo que não soubesse, entenderia que não és igual aos demais, és zebra preto no branco e não branco no preto.

Não só eu sei que és diferente, muitos sabem, mesmo sem entender. Por isso gritam, sem saber porque gritar. Tu emanas o brilho que eles buscam, e quando essa luminosidade intensa lhes atinge as córneas, lhes dá vontade de gritar. Vieram para te seguir porque não sabem para aonde andar, porque querem ser exatamente como tu.

Mas eu entendo, eu realmente entendo. Por isso grito.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

E quando...

Tu me perguntares ou procurares em todos os lugares, olhares em todas as direções buscando de onde eu venho, responderei que nunca saí do lado teu, nunca deixei-te dar um passo cego rumo ao nada, nunca deixei de sondar teus sonhos procurando ali a verdade que encontro nos teus olhos. Entretanto deixei que escapasses meio ao breu, dentre as brizas da noite, enquanto fiquei sentada nas calçadas desta cidade que por vezes não recordo-me o nome.

Passava da meia noite quando a faca foi lançada. Os cães latiam e ouvia-se um revirar de latas de lixo do lado de fora das janelas de blindex. Quando deitava-me desejava estar no terraço, quando estava no terraço desejava estar no alto das antenas de telefone, aquelas bem altas, que provavelmente me deixariam ver até Heath Ledger em outro mundo, fora dos olhos.

Mesmo assim seria improvável ver-te de tão elevada altitude, poderia ver qualquer um, menos tu. Porque mesmo quando presente estavas ausente, e a ausência que me causas não me deixa te deixar, não me deixa te perder, porque quando olhas nos meus olhos... Eu compreendo que não podes ficar.

Porque quando estais por perto queimas todas as flores aos teus pés, transformas meus cabelos em minúsculas borboletas negras que me turvam a visão. E não, não quero que fiques, quero que sumas meio as ruas de asfalto. Quero que sumas. Como todo o sentimento que havia em mim.

sábado, 23 de agosto de 2008

Bifurcação

A chuva cai devagar e fina, como costumeira por aqui nas últimas semanas. A neblina cobre as ruas e os prédios até o topo, deixando-se ver apenas as janelas do vigésimo andar. Estas, por sua vez, refletem tons de cinza, como o céu. E as nuvem se misturam com a vontade de não ver.

Não vê-se pessoas ou qualquer sinal de vida, apenas ouve-se. O mundo lânguido parece não andar, mesmo que no fundo a gente saiba que ele está. Ele está lá, mas eu não estou.

Com os olhos abertos e fixos em algum ponto, no fim de uma estrada que termina por bifurcar-se bem diante do olhar mórbido. A chuva ainda cai. Não faço idéia de onde devo ou deveria ir, parece que chegou o fim da linha e realmente não existe nada que eu quisesse diferente. Não tenho mais pelo que esperar, tudo está no seu devido lugar e meu coração bate compassado com as gotas de chuva que atingem o solo, vez rápido, vez devagar. E não são um, mas milhares deles em milhares de lugares distintos.

Me mandaram ver além do que eu poderia, mas as árvores entre a bifurcação são enormes, gigantescas, como a dúvida que me corrói o peito.

- Coroe mais alguns bobos, e saberemos para onde ir.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Se os Olhos São as Janelas da Alma

Minhas janelas agora são envidraçadas.

domingo, 17 de agosto de 2008

Loucura

"Saudações. Fico feliz de ver que você conseguiu. Sei que a citação foi abrupta e algo fora do comum, mas eu tenho medo de que isso simplesmente esteja na minha natureza. Relaxe. Eu aprecio que voê não me conheça, ainda. Que coisa interessante essa. Se você me conhecesse, não saberia que me conhecia. Faz sua cabeça girar, não é mesmo? Pouquíssimas pessoas querem me conhecer, menos ainda realmente me entendem. Mas você é diferente, não é?

Ah, como eu amo os diferentes. Tenho visto tanta gente, entende, ao longo dos anos. Os que abertamente apreciam a minha companhia, até mesmo o meu abraço. Mas mesmo muito poucos daqueles procuram compreender-me realmente. Você realmente quer me conhecer? Receio que a conversa, independentemente da sua profundidade ou complexidade, não será suficiente. Não, temos que olhar mais. A melhor maneira de entender-me, creio eu, é testemunhar aqueles que já me conhecem, em uma faceta ou em outra. Para isso, deixe-nos ir e ver algumas dessas almas sortudas. Vamos ver o que o meu abraço tem forjado.

Relaxe, não há necessidade de se mexer. Nós podemos viajar de outras formas que não a crua carne do seu corpo. Feche os olhos e pegue minha mão. Vou guiar você, como eu tenho guiado tantos outros.

Vamos começar com um homem que acabou de me conhecer. Vamos chamá-lo de John. Você pode ver? Ali, logo à frente, é a casa dele. Uma casa pré-moldada de tijolos à vista, hipotecada duas vezes. Uma bela casa, seria uma opinião e, na verdade ela é, por si só. Vamos olhar através da janela do lar de John, não vamos? Lá. Lá está ele. John é um branco pré-moldado trinta-e-alguma-coisa na classe média dos subúrbios da América. Ele tem uma esposa e três criancinhas, quais os nomes são irrelevantes. John é a única fonte de renda da casa, sua mulher sempre quis ser uma mãe dedicada 24h e dona de casa, e ele sempre querendo fazer sua esposa feliz. Veja só, John tem um certo tipo de personalidade, do que se presta à minha presença. Ele deve agradar. As causas são muitas, tenho certeza, e como os nomes de sua família, irrelevantes. Essa necessidade de agradar vai além do normal. Ele precisa agradar todos, independentemente das suas próprias necessidades. John está endividado muito além de seus recursos. Como eu já mencionei, a casa foi hipotecada duas vezes. Ele também tem várias linhas de crédito abertas, todas estão no limite (algumas estão fora). John tem um emprego estável que paga bem, mas ultimamente ele tem sido sufocado. Vê? John despreza seu trabalho. De fato, ele preferiria tomar uma surra todos os dias do que carregar-se até seu escritório. Mas, desde que não aceitam cheque naquela linha de trabalho, e desde que John deve fornecer e agradar, John segue em frente. John está na negação. Esta é uma porta que eu tenho batido algumas vezes. Assista-o. Sentado em sua mesa, puncionando números no seu computador, desenhando figuras em uma cada vez mais instável mão, tentando descobrir como manter sua fantasia a tona. Olhe mais perto. Vê a minúscula lágrima na sua bochecha direita? Ele e eu estamos prestes a nos conhecer, embora como de costume John está contentemente desatento.

Chega de John. Ele e eu nos conheceremos bem em breve. De fato, eu suspeito que nós vamos ser amigos rápido, mais para a sua família sem nome. Tal é o estigma que eu suporto. Deixe a casa pré-moldada hipotecada de John sumir no nevoeiro da obscuridade, temos mais para visitar. Para onde devemos ir agora? Ah... Vamos visitar Ronnie. Você ouve o som das ruas? As buzinas? Os motores? Lá, enquanto o nevoeiro sobe, nós vemos uma calçada suja, à beira de uma rua movimentada em alguma metrópole americana lotada. Olhando a esquina de um prédio de tijolos, nós ouvimos um rangido de rodas antes de Ronnie virar com seu carrinho de compras detonado apenas metade-cheio com os detritos das tão chamadas pessoas 'normais' nessa tarde.
Como sempre, Ronnie etá suja, não tanto como John. Ela é jovem/velha, alguma idade entre vinte e sessenta, impossível saber pelas camadas de sujeira e as linhas de tensão e do tempo. Ronnie usa seu uniforme costumeiro hoje, o vestido marrom que a simpática senhora de Salvation Army deu à ela há dois (ou seriam três?) Natais atrás. A bandana azul que ela encontrou no lixo atrás do bar do Doc Henry no mês passado, prendendo seu cabelo no lugar contra o vento. Os vários pedaços de tralha, suja mas ainda bonita fantasia, jóia que ela encontrou através dos anos. Ronnie está descalça como sempre, apesar de a calçada provavelmente estar dando bolhas neste calor. Observe sua face mais de perto enquanto ela empurra seu carrinho por nós, apática à nossa celestial presença. Você pode ver a beleza que ainda existe sem ser notada ali? Ronnie sabe que ela está lá, a maioria do tempo. Veja ela. Está falando, embora esteja sozinha na rua. Com quem, eu pergunto? Comigo? De vez em quando, mas eu particularmente acho que Ronnie está falando com Ronnie. Essa Ronnie que vemos está falando com a Ronnie que costumava ser. A adorável garotinha sardenta que cresceu na parte rural de Oklahoma. A garota que o papai brincava com e a mamãe lia para. Ela era a vida deles, e eles eram o mundo dela. Até o fogo. O belo terrível fogo. Às vezes é a tragédia que abre os caminhos para mim. Eu tenho feito muitos amigos através da calamidade. E acredite em mim quando eu digo que Ronnie e eu somos amigos. Ela gosta da minha companhia, mesmo sem saber que eu estou lá. Nós somos inseparáveis agora, Ronnie e eu. Nos abraçaremos até o dia de sua morte, e ela não o iria querer diferente se pudesse.

Bom, chega de sentimento. Ronnie está comigo, mas ela está tão feliz quanto ela pode. Vamos olhar alguém totalmente diferente. Limpe a cena da rua e deixe Ronnie com sua conversa solitária e em baixo som. Vamos depressa para outro lugar, a mansão apalaçada, assim como a que Ronnie criou de papelão, é humilde. Aqui, na briza morna da Flórida, se ergue uma mansão branca com um telhado de telhas vermelhas, cercada por uma parede de estuque e um portão de ferro. Carros caros se alinham na estrada de lajotas. Mais fundo dentro da opulenta construção está uma sala, cercada e cheia com bancos, com um palco instituído na frente deles. Os bancos são estofados com muito bom gosto e ocupados por homens e mulheres de recursos, suas roupas, seus acessórios, seu jeito bem ensaiado de falar de riqueza. Todos estes estão sentados de frente para o palco em que outro homem, o foco da nossa jornada aqui, atravessa de um lado para outro, orando energéticamente e com habilidade. Seu nome é irrelevante. Ele é irrelevante, embora acredite realmente no contrário. Veja só, ele é um anjo de Deus. Você ri? Pergunte a ele, eu imploro. Ele discursará longamente sobre a sua filiação e seus planos para o mundo. Eu e ele somos velhos amigos, como você já deve ter adivinhado. Na verdade, ele me conheceu intimamente antes de conhecer sua primeira mulher. E ele tem conhecido vários. Veja só, embora nós sejamos íntimos, ele é um homem muito carismático, prático na arte da manipulação,
tendo aperfeiçoado sua habilidade ao longo dos anos vagueando em tendas de 'renascimento' durante toda sua infância. A maioria dessas pessoas aqui esta noite acreditam no que ele acredita, e a minoria que não, está começando a acreditar. Tal é o poder desse homem. E tal é o relacionamento entre eu e ele, que ele nem sequer vê o dilema moral em pegar dinheiro dessas pessoas para apoiar o seu "ministério" e utilizá-lo para comprar vagabundas que ele então assassina no porão dessa tão santificada morada. Realmente, se perguntado, ele diria que ele as abençoou e as colocou no caminho para o Criador. Outro amigo de vida longa esse, embora eu duvide que ele viva tanto quanto a querida Ronnie.

Como pode ver, eu tenho muitas faces. Evidentemente, eu estou me esforçando com John, mas ele não pode ser salvo ainda. Eu sou boa com Ronnie, e eu capacito o homem irrelevante na Flórida. Vamos ver um lado mais negro. Um flash para uma sala escura, uma cozinha pelo cheiro de fritura e pela mesa de fórmica. Um homem senta numa cadeira nessa mesa, de cabeça baixa, segurando cuidadosamente alguma coisa em seu colo. Ele está suando, o calor no quarto é opressivo. Vemos imediatamente que alguma coisa está muito errada. Ele está com uma camiseta que uma vez foi branca, mas que agora está coberta de vermelho, parte ainda está molhado e ligeiramente preto. Um denso fluído carmesim escorre pelos seus braços até seu colo, que não pode ser visto. Este é Mike. Ele não é tão quieto quanto nós pensamos. Seu ato estúpido volta enquanto ele soluça de tanto chorar, e algumas das gotas que pensamos ser suor são lágrimas. Deixando Mike com seu luto, nós deslizamos até o hall, talvez para encontrar a origem das manchas da camiseta de Mike. Você quer saber, admita. Escorregando através de uma quase-porta fechada para um pequeno e pouco iluminado quarto, a origem das manchas e do luto de Mike é aparente. Uma está mulher deitada em uma cama de casal, seus grandes olhos fixados no teto, em uma congelada discrença. Ela foi esviscerada, seu sangue vivo e suas entranhas foram espalhados pelo quarto como se fossem confete. Sabendo agora a causa do luto de Mike, voamos rapidamente de volta para a cozinha e seu calor infernal para observar mais uma vez, nossa compreensão maior do que antes. Mike ainda está sentado à mesa, mas sua cabeça está levantada, seus olhos abertos e fixos a frente. Sangue está respingado pelo seu rosto, vazando de um olho como uma lágrima carmesim. Na mesa diante dele está um cutelo, um pedaço barato de metal de terceira e um plástico ainda mais vagabundo. O sangue faz uma poça embaixo dele. As mãos de Mike descançam sobre a mesa e sua mandíbula começa a trabalhar. Ele já não está mais soluçando, ou demostrando remorso de forma alguma. Ele está dizendo alguma coisa. Escute mais de perto. Nós escorregamos vagarosamente mais perto até que podemos entender a única palavra que Mike está repetindo. "Por que?" Por que o que, você pergunta? Eu sei. Eu estou dentro de Mike agora, e eu conheço ele melhor do que ele mesmo. Mike está perguntando por que. Por que ele perdeu seu emprego hoje? Por que seu carro quebrou? Por que ele perdeu o ônibus? Por que Cindy decidiu que ele não era o suficiente para ela? Por que ele a esviscerou em um momento cego de raiva e espalhou seus pedaços pelo quarto deles? Por que? Estou o fazendo fazer essas perguntas? Não. Na verdade, estou permitindo que ele as faça. Mike está totalmente sobre meu controle agora, e às vezes eu aprecio esse controle. Às vezes eu aprecio machucar pessoas. Eu tenho muitas faces, como eu disse. Eu vou atormentar Mike por mais alguns minutos, então eu vou fazê-lo se machucar. Se eu for piedosa (eu posso ser, como você já viu), eu vou fazer Mike cometer suicídio. Acredite em mim, suicídio é a resposta mais piedosa a estas alturas. Se não, eu vou deixá-lo inteiro, embora o fazendo seria, provavelmente, me convidar de volta, em uma das minhas outras formas. Irônico, não?

Então, querido andarilho. Você realmente quer me conhecer? Você me entende? Não, eu acho que não. Você viu alguns de mim. John, Ronnie, Mike e o homem irrelevante na Flórida, eles me conhecem. Acredite em mim quando eu digo que você não quer me conhecer. Você não quer me entender, me abraçar, me amar, me cortejar, ou até mesmo ser meu amigo. Mas vai chegar o dia na sua vida em que isso vai mudar. Ninguém sabe o que o amanhã vai trazer. Não tenha medo, querido amigo. Eu tenho muitos olhos grandes. Se esse dia chegar, eu vou estar lá."

[Um tal de ~DaddyForever]

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Bandeira Branca

Eu sempre parei para pensar nas chances desperdiçadas, mas hoje eu parei para pensar nas segundas chances. Eu sou uma pessoa que com certeza já teve mais do que duas.

A pergunta incessante que me devora a cabeça por inteiro é 'por que eu perco tanto tempo?'. Eu não tenho tanto, não tenho todo o tempo do mundo. Nem tu, nem ninguém. E é isso que me desespera. Não sei se desespero seria a palavra certa, então prefiro 'intimida' ou até mesmo 'preocupa'. Eu perco dias, meses, anos, pensando no que eu poderia estar fazendo, no que eu quero fazer e no que eu quero ser. No que eu quero para a minha vida, nas pessoas que eu quero conhecer, sem me dar conta de que elas vivem suas vidas enquanto eu perco a minha aqui, pensando.

Hoje eu decidi que eu quero ser uma pessoa diferente, quero me ligar a outras coisas, conhecer pessoas, investir na minha cultura, no meu conhecimento.

Quando eu tiver uns setenta anos, quero ter histórias para contar, quero uma vida cheia, um livro colorido, não quero contar aos meus netos e filhos sobre meus amigos de Internet, sobre as coisas que eu planejava. Eu quero crescer.

Crescer não é uma coisa natural da vida, como eu sempre pensei. Aquela história de ser neném, depois criança, adolescente e todas essas coisas, são uma questão de deselvolvimento biológico e, sim, estão fora do nosso alcance acelerá-lo ou impedí-lo, mas crescer mentalmente e ter uma visão madura e responsável do mundo é uma coisa que se escolhe. É assim com tudo! Cada segundo que passa, é uma chance que tu tens de fazer as coisas funcionarem ou falirem. Eu quero fazê-las funcionar, e quero ver o circo pegar fogo, sim. Preciso que as coisas aconteçam, não posso desperdiçar uma vida inteira na frente de um computador, conversando com pessoas 'imaginárias'. Um dia eu posso até me tornar uma delas, e isso seria realmente um problema.

E chegando ao final destas linhas a pergunta se expande: 'por que eu perco tanto tempo tentando ser alguém que eu não sou e nem ao menos quero ser?'.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

MEEEEEEEEEEEU deus!

Tu me envergonhas, e só.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

domingo, 20 de julho de 2008

Desenhei Lábios

A princípio, os meus, depois os teus, depois os de todas as pessoas que me vieram à mente. Todas elas, e foram muitas, mas eu terminei, finalmente terminei. E olhando bem para a figura, entre os lábios estava o teu semblante junto ao meu.

Eles disseram que eu mudei. E eu começo a pensar que eles estavam certos desde o início.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

terça-feira, 15 de julho de 2008

É...

A noite caiu sem dizer nada, só soube quando abri as janelas em busca de ar fresco para meus pulmões.

O quarto estaria silencioso se não fosse pela música, a voz de um homem morto que ecoa. E eu não dou a mínima. A letra diz 'I will let you down, I will make you hurt'. E eu continuo não me importando.

A dor não queima como antes. Ninguém está como antes. Nada é como antes. Coisas sumiram, valores se perderam e eu me pergunto: 'quem sou eu?'. Procurei ser a mesma, procurei permanecer imutável, mas negar a mudança é como o velho que pinta seus cabelos para renegar os anos que estão estampados no seu rosto.

Nunca imaginei me ver tão perdida a ponto de perguntar se mudei ou não, de não saber para onde ir, não saber o que fazer da vida, não saber o que esperar dos outros.

'Beneath the stains of time, the feelings dissapear. You are someone else, I am still right here. What have I become, my sweetest friend? Everyone I know goes away in the end', ele continua cantando, mas eu não presto atenção.

Eu preciso de alguém que saiba quem sou eu.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

A Perda

São nestes momentos de emoção extremamente forte que me inspiro a escrever. Vez por felicidade, vez por tristeza. Quem dera fosse por uma boa lembrança ou acontecimento que estou escrevendo agora.

Faz menos de uma hora que eu perdi meu amigão, não um tipo de amigo convencional, mas dos que te escuta e te entende. Ouve a tua voz e sente alegria nisso. Acabei de perder meu bichinho de estimação. E sim, pode parecer bobo quando se lê uma coisa dessas, mas é porque ninguém viu o que eu vi: os olhinhos perdendo o brilho e os pulmões perdendo o ar numa respiração entrecortada. Uma criatura tão frágil, tão meiga, que não merecia um dos gritos de dor que deu enquanto a visão tornava-se escura.

E o que eu poderia fazer? Assistir ao show de horrores, uma vida sendo levada bem diante dos meus olhos, que por fim estavam fechados na ilusão de estarem dormindo e poder acordar para brincar com meu amigo das manhãs geladas e dos dias ensolarados, de dividir as cenourinhas escondida da mãe, de dar mais alfaces do que se deve só para ver o roedor feliz, de poder abraçá-lo e dizer o quanto eu o amo, em voz alta e sem vergonha do mesmo.

Hoje eu perdi meu coelho, meu neni, meu menino. E tu podes dizer que os coelhos são todos iguais, mas eu te digo que o meu era o melhor do mundo e que eu vou sentir MUITO a falta dele. Não sei o que vai ser dos dias de escola, nos quais a primeira coisa que eu fazia ao chegar era procurar meu menino para brincar, conversar um pouco. As vezes eu falava sobre uma vida diferente, em que a gente ia morar em um apartamento colorido e não iam existir preocupações, nem tantas responsabilidades.

Panquecas, vulgo Panks, desejo que agora tu possas correr em campos de grama, diferente do chão de piso pelo qual sempre brincaste, que as cenouras pulem na tua frente sem limites e que tu possas comer quantos bolos de chocolate tu quiseres. Sempre vou te ter na memória e tu vai ser para sempre meu favorito, te amo.

'Love is watching someone die'.

sábado, 21 de junho de 2008

Uma Montanha-Russa

Daqui até aí. Vai dizer que a idéia não é boa?

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Meu Testamento (My Will)

Este texto caiu na prova de inglês de hoje e eu tive o trabalho de copiar e traduzir pra colocar aqui porque achei muito massa!


"Quando minha hora chegar, não tente introduzir vida artificial no meu corpo pelo uso de uma máquina. Em vez disso, dê minha vista para um homem que nunca viu um nascer do sol, um rosto de bebê ou o amor nos olhos de uma mulher. Dê meu coração a uma pessoa que o próprio coração causou nada mais que intermináveis dias de dor. Dê meus rins para alguém que depende de uma máquina para existir de semana a semana. Pegue meu sangue, meus ossos, cada músculo e nervo no meu corpo e ache um jeito de fazer uma criança aleijada andar.

Explore cada canto do meu cérebro. Pegue minhas células, se necessário, e deixe-as crescer até que, algum dia, um menino mudo seja capaz de gritar assim que seu time marcar um gol e uma menina surda de ouvir o som da chuva contra a sua janela.

Queime o que sobrar de mim e espalhe as cinzas nos ventos para ajudar as flores a crescer.

Se você realmente quer enterrar alguma coisa, deixe que seja meus erros, minhas fraquezas, e todo prejuízo contra os meus semelhantes.

Dê meus pecados para o Diabo. Dê minha alma para Deus.

Se você quiser se lembrar de mim, faça isso com um bondoso gesto de palavra para alguém que precise de você. Se você fizer tudo que eu pedi, eu viverei para sempre."
(Robert N. In: "To Remember Me"
Cincinatti Post, 1982)

domingo, 15 de junho de 2008

Queijo e Goiabada

Essa semana passou devagarinho, bem devagarinho. Acho que se eu estivesse dormindo, pareceria aqueles sonhos que parecem ter horas, mas na verdade duram apenas 15 minutos.

O clima frio e o tempo nublado congelam os dedos, pés e nariz, diferente não seria com o coração, se não estivesse aquecido pelo amor que guardo com muito carinho e cuidado aqui dentro.

Coberta até os dentes, me engano por alguns segundos, desacreditada de estar morta. Mas os vermes que me comem o cérebro evidenciam o que os lençóis de desenhos geométricos desesperadamente tentam esconder. As memórias, uma a uma vão sendo apagadas, substituídas por um vazio que me abraça ternamente.

Vazio este que lembra por bem de não apagar o teu nome do meu peito, dos meus olhos, da minha cabeça. Marcado em mim como ferro em gado, como tatuagem. E mesmo que eu tentasse, que eu quisesse lavar de mim, é impossível, porque já faz parte, me completa. Que bela tatuagem.

Se eu fosse um quebra-cabeças de mil peças, quinhentas delas estariam contigo e as outras quinhentas ainda por montar. É como cara e coroa, uma moeda da sorte. E com a sorte grande. Sorte a minha, por ter te encontrado, por poder te chamar de meu e te ceder todo o espaço incompleto e vazio que os vermes deixaram por preencher. As páginas em branco.

E eu realmente não me importo com o teu passado, também não me importo com o meu. Desde que o meu futuro seja estar do teu lado, esquentando meus dedos, pés e nariz de dentro para fora, sem precisar de cobertores me esquentando de fora para dentro. Sem lençóis cobrindo meu rosto e fingindo que estou morta, quando, na verdade, eu não estou. Graças aos olhos teus me deixando ver algo mais, devolvendo o brilho ofuscado de um coração e uma cabeça com problemas demais.

E quanto aos problemas, exceto os teus, não quero ouví-los, pois os meus estão de bom tamanho, obrigada.


[Nunca pensei que fosse, agum dia, precisar tanto de alguém, nem que fosse entender um pouco do que se diz respeito amar.]

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Castelos Suspensos

Me sinto como se a minha vida estivesse sendo vivida em outro lugar. Algum lugar que eu não faço idéia de onde seja.

Os amigos que eu vou ter, todos lá, mas só os amigos, porque o amor eu já sei quem é e onde está, só falta eu achar o ônibus com o destino certo.

Fecho os olhos, não há nada para se ver por aqui.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Bíblia de Néon

Eu morro e não vejo tudo mesmo.

Burn, Motherfucker, Burn!

Ando extremamente cansada. Parte pela escola, parte pelas coisas que me acontecem.

Sabe quando tu consegues prever o que vai te acontecer durante o dia, tudo se torna tão previsível, que tu chegas a te divertir vendo um prédio pegando fogo (sério).

Eu sempre achei engraçado coisas pegando fogo, ou aquelas histórias trágicas de pessoas com combustão espontânea. Esses dias eu estava voltando do centro da cidade, quando vejo uma aglomeração de pessoas olhando para cima e vários carros da polícia e dos bombeiros. Sem entender absolutamente nada, procurei o motivo da muvuca lá embaixo, porém só enxerguei uma coluna de fumaça que saía de trás de um prédio.

Um pouco mais a frente, consegui ver o porque daquilo tudo: uma língua de fogo gigante saindo da varanda de um dos prédios luxuosos da avenida Beira Mar Norte. Por um momento fiquei assustada, confesso, mas depois eu achei certa graça, como de costume.

Acabei levando uma bronca da minha mãe, que olhava apavorada para o edifício.

Enfim, eu achei algumas imagens da 'tragédia', tá aí embaixo.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Sol e Chuva: Casamento de Viúva

Não é de hoje que os índices de divórcio vêm crescendo, mas essas viúvas estão críticas. Casam e separam, casam e separam... E quem tem que agüentar a indecisão das mulheres e o tempo cagadinho somos nós. Brincadeira, ein!

Algumas guelrinhas já estão se mostrando atrás da minha orelha. Até quando vai chover?

Se acontecer algum dilúvio, sei lá, a gente pode usar o navio que eu tenho construído no sótão, com a inundação vai ser facinho tirá-lo de lá, entende? E lembra que eu te prometi que um dia te levava nele? Acho que chegou a hora.

As gotas já viraram bombas. Estão acabando com tudo, literalmente. Minha mãe vai precisar de janelas novas (e forro também depois que a gente fugir de navio).

Depois que a chuva cessa vem aquele sol escancarado, como se fizesse escárnio de quem deixou de sair de casa por tanto tempo. Só podem estar de palhaçada mesmo. Até comecei a assistir televisão e eu nem gosto. Nunca gostei de quem só consegue falar dos próprios problemas sem escutar os outros. Egocêntrica.


[Lembranças à falecida bolha]

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Não Me Acorde, Faço Planos Enquanto Durmo

Quando me deito para dormir, os olhos procuram algum ponto luminoso no meio do breu que derruba o quarto. Sozinha, o mundo se desliga e tudo que acontece parece se voltar para mim. Sozinha. Exceto por ti, no pensamento.

Prefiro nos deixar no escuro, tão escuro quanto este, que completa as quatro paredes em que me encontro agora, que as pinta de um preto profundo, que me deixa sem ver um palmo a frente do nariz. No escuro para os demais, pois de que vale as palavras que não saem das nossas bocas e os pensamentos que não saem das nossas cabeças?

Por mim, o mundo inteirinho poderia ficar desligado para sempre, desde que estivesse a sua mão junto da minha.

E quando durmo, sonho contigo e com tudo o que eu planejo. Os relógios não têm ponteiros, porque o tempo não precisa passar. As palavras fluem fácil e eu realmente não me sinto assustada, porque quando penso em ti, os olhos encontram tal ponto luminoso o qual buscavam durante horas.

Acordo e me vejo longe o bastante para preferir continuar dormindo para sonhar com a vida idealizadamente real que acontece dentro da minha cabeça. As pálpebras sobem como cortinas e deixam ver que os relógios agora exibem três ponteiros: um fino e comprido, que se move rapidamente, um médio, com movimentos semi-lentos e um pequeno e gordo, que se arrasta ao invés de andar. Embora se movam em velocidades diferentes, todos amarram as horas o máximo possível, como se não quisessem deixar o tempo seguir.

Queria dias mais curtos.

(Inspiração para o título do post)
The Postal Service - Sleeping In



[Um beijão no dedão queimadão! Viva a bolha!]

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Olhos Abertos

Ando meio relaxada com isto aqui, mas 'vamo' lá.

Nos últimos dias tenho percebido em algumas coisas banais, como de costume. Hoje, voltando da escola, eu estava caminhando junto de uma rua asfaltada e super movimentada, quando passa um velho de carro e dá aquela buzinadinha NOJENTA e bem típica daquele tipo de gente. Sem pensar duas vezes mostrei o dedo do meio com gosto e ainda tive de ouvir de um pedestre: 'Ih, estressadinha?'. Isso me fez pensar em como a mulher é reprimida nos tempos atuais (ainda). Por que diabos não posso mostrar o 'pai de todos' para um cara que me incomoda? Entende onde eu quero chegar? O ponto é que nós estamos tendo que engolir certas coisas que nos aborrecem só para parecer simpática. Mas não preciso parecer simpática para ninguém, principalmente para um velho porco qualquer.

Outra coisa são as amizades... Andava tão cega quanto a isso, como se meus olhos tivessem sido arrancados das cavidades e pisoteados até se tornar algo homogêneo. Como pode uma coisa dessas? Não é a primeira vez que falo de falsidade aqui no blog, algum tempo atrás escrevi um texto chamado "Títulos de Propriedade", que falava de duas das minhas amigas que eu havia apresentado uma à outra e que saíram sem mim, o que me deixou um pouco chateada, o problema é que isso continuou se repetindo e se repetindo e ainda se repete, eu finalmente criei vergonha na cara e mudei o nome do título que ambas tinham e hoje posso chamá-las "Colegas", as que "não fedem, nem cheiram".

Por fim, vou falar das notas. Que desgraça de escola é essa que a gente estuda, estuda e se dá mal? Vou te contar, ein! To indignada!

Tá, é isso, fim.

sábado, 5 de abril de 2008

Em Caso de Zumbi

(Li este artigo na Internet e achei super útil, sei lá, vai que acontece, né... Nunca se sabe.)



"10 coisas que não se deve fazer em caso de um ataque de zumbis:

Porque, de acordo com o site de arquivos-zumbi, os zumbis estão... rapidamente se tornando um problema em grandes cidades, nós deveríamos seguir essa lista de 10 coisas que não se deve fazer durante uma invesão-zumbi.

10) Não toque fogo em um zumbi. Zumbis queimando têm um cheiro horrível.
Não temos certeza de porque você vê isso em todo filme de zumbi, mas ainda se é de pensar que, pior que um zumbi, é um zumbi em chamas. Lembre-se, pode demorar um tempão para que um zumbi queime até a morte - mais de dez minutos em alguns casos gravados. Você realmente quer um zumbi flamejante, flamejando também você e seus amigos? Mantenha a segurança - as chances são boas de que não tenha nenhuma infraestrutura anti-chamas durante um ataque-zumbi se as coisas saírem do controle.

9) Não seja sentimental. Os zumbis não vão.
Certo, era a sua casa. Certo, eles eram sua família e amigos. Mas agora isso é um ninho de zumbis, e eles são zumbis. Fique por perto, e sua melhor chance é virar comida de zumbi - ou pior, terminar um zumbi como o resto. Zumbis não têm nenhum sentimento - você também deveria.

8) Não esqueça de fechar a porta atrás de você. Zumbis geralmente aparecem sem ligar antes.
Você nasceu em um celeiro? Zumbis podem não ser os mais inteligentes, mas eles conhecem uma porta aberta quando vêem uma. Mantenha sua fortaleza suburbana de zumbis segura lembrando de trancar e fechar as portas. E não as bata também! Os zumbis odeiam.

7) Não mantenha zumbis no porão. Mesmo se eles forem sua família zumbi.
Devoção à família e amigos é o toque. Que seja, você não vai querer eles tocando em você depois de mortos. Faça um favor a você mesmo e tenha certeza de que colocou seus amigos e família zumbi para baixo corretamente. Lembre-se, não tem cura para zumbificação, e os manter por perto só prolonga o sofrimento deles e aumenta o risco de todos. A propósito, você realmente quer ser comido por seus amigos?

6) Não tente se reunir com amigos/família de longe.
Parece uma grande idéia, não? É o que todo mundo pensa. Veja, faça a matemática. Se você deixar sua casa ao meio-dia, indo em direção da casa da sua mãe, viajando a 3km por hora, e um bando de zumbis deixa a vizinhança dela ao mesmo tempo, indo em sua direção a 1km por hora, que hora você será comido por zumbis? Pule a matemática e releia o passo 9.

5) Não vá para baixo, os zumbis podem ir para baixo também.
Zumbis não podem escalar. Você sim. Em visão disso, por que você iria escolher ir para baixo ao invés de ir para cima? Fique longe de porões, barrancos, esgotos, e qualquer lugar que zumbis possam desengonçadamente perambular/cair em e não serem capazes de sair. Lembre-se, é improvável que um humano esteja em um esgoto, mas zumbis não dão a mínima para o cheiro.

4) Não chame a atenção para a sua presença. Os zumbis podem estar ouvindo.
Zumbis que ainda possuem suas orelhas têm estatísticamente mostrado ter um reconhecimento acima da média de freqüências ultra-sonoras. Se você absolutamente vai explodir música enquanto mata zumbis, faça isso no seu Ipod, e você provavelmente vai querer aproveitar aquela festa do bairro até depois que o ataque zumbi for pro espaço. Durante uma invasão de zumbis, lembre-se de colocar seu celular em vibracall - só por garantia.

3) Não fique na frente de janelas. Isso é burrice!
Você pode pensar que para isso não se precisa de aviso, mas precisa. Janelas são uma defensa estética ao meio ambiente, não proteção a zumbis e os mortos vivos. Uma vez que você achar sua fortaleza, bloqueie as janelas o mais rápido possível e fique longe delas. Seja lá o que você faça, não grite palavras de costas para elas.

2) Não seja muito criativo na defensa contra zumbis.
Claro, os dentes da serra elétrica na sua caminhonete pareceram uma boa idéia na hora, antes de você encher seu carro com incensos e exausto, desmaiar nas rodas e ser serrado ao meio. A tentação de ser muito criativo em despachar zumbis pode parecer quase irresistível as vezes, mas quando isso se torna matar zumbis, aquele velho provérbio diz: Seja simples, idiota!

1) Não seja "aquele babaca" no seu grupo.

Análises de texto de filmes de zumbi têm provado que "aquele babaca", um personagem que está ao mesmo tempo em toda parte em filmes de terror de zumbis e sobrevivência, têm apenas 4.32% de chances de sobreviver até o final do filme.
Estudos mais atuais têm desafiado aquela figura, citando vários filmes em que "aquele babaca" foi promovido à “o outro, mais babaca,” que então assumiu o status de “aquele babaca”.



Agora vocês estão seguros!"

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Cidade Fantsma

Já perdi algumas horas olhando as luzes de néon dessa cidade fantasma. Os carros passam tão devagar que as calçadas arrastam-se com eles. A chuva cai extremamente fina, mas algumas estrelas insistem em se exibir. O clima está frio, de maneira razoável, permitindo que se use uma camiseta de mangas compridas, mas não um casaco pesado.

As janelas dos prédios acendem e apagam aleatoriamente, fazendo com que as pessoas que ali moram se tornem previsíveis com o passar do tempo, deixando-nos destingüir até mesmo os cômodos dos apartamentos. Em alguns deles, elas brilham em azul, depois em branco, sinal de televisão sintonizada na Globo, onde a sujeira do mundo se mostra com elegância. Enquanto a sujeira dos prédios nem aparece com o escuro.

Os postes marcam as ruas como luzes de Natal marcam o pinheirinho, contornando-as e deixando ver seu começo e fim de longa distância.

Os carros já passam mais depressa pois passam das 22h e os semáforos sintilam luzes vermelhas, que piscam de um em um segundo, informando que a passagem é livre.

Já é habitual olhar a cidade com um ar diferente, mudando as palavras para que ela pareça ter vida para os outros, enquanto para mim sempre será a cidade fantasma onde nasci e cresci.

'Eu nunca rezei, mas hoje eu estou de joelhos'. Quanto tempo falta para eu sair desse buraco, meu santo?

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Maré de Azar

Onda, onda, olha a onda! (tchátchá)

terça-feira, 1 de abril de 2008

'C' de Centro

A Ilha de Florianópolis, principalmente a parte do centro, anda crescendo de maneira descontrolada, mas com uma beleza tão incrível que me faz perguntar se ainda estou na mesma cidade. E a burguesia possui uma desorganização semi-planejada.

Os prédios são magestosos, quase sempre com nomes importantes de militares e políticos, que naturalmente já estão abaixo dos nossos pés há tempos. As ruas apesar de extremamente confusas, são arborizadas, e as sombras transferidas das folhas para o chão de asfalto, dão o significado perfeito de 'selva de pedra'. Os muros desses residenciais, por muitas vezes são de vidro, deixando transparecer a senhoria que os edifícios exibem com naturalidade.

A cultura é algo que as pessoas parecem transpirar. Vindo das janelas dos 'palácios suspensos', ouve-se risadas e cumprimentos, que não me parecem familiar quanto ao século em que vivemos. As roupas são bem planejadas, detalhadamente combinadas, e até os despojados parecem ter perdido horas desalinhando com perfeição os fios de cabelo e escolhendo um tênis com aparência de surrado que combinasse com o tom da estampa da camiseta.

As pessoas são tão bonitas e sofisticadas, que mesmo se eu estivesse usando um vestido longo de grife e diamantes até nos ossos enquanto caminho pelas largas ruas nomeadas com nobreza, passaria despercebida no meio da elite que passeia com seus cachorrinhos de pequeno porte e sangue puro, tão puro quanto o dos donos.

O ambiente traz um ar tão aconchegante, que apesar de nunca ter morado no centro da cidade, me sinto totalmente em casa, deixando a mostra um leve sorriso na face. Não sei se dinheiro traz felicidade, mas parece. Pela primeira vez em muitos anos desejei ser tão rica a ponto de mandar buscar os tênis das mais diversas cores de qualquer parte do mundo, sem nem precisar me preocupar em contar o dinheiro que me saía do bolso.

Mas os muros pichados denunciam que aquela magestade toda continua sendo um bairro de uma cidade qualquer. Com mendigos, prostitutas, catadores de lixo, pedintes, entre outras figuras que ajudam a distingüir classe média alta de classe média baixa, e de sem classe.

O cheiro da fumaça dos carros lá cheira igual os carros do lado aqui do Continente, os passarinhos também cantam da mesma forma e as baratas dos restaurantes caríssimos são sujas como as daqui. A ironia, é que as baratas que andam nos restaurantes 'ilheiros', se assim posso chamá-los, comem os cadáveres burgueses, enquanto as dos restaurantes do continente comem a classe sem classe. Mas ainda mais irônicos, somos todos nós, que comemos esta comida e sorrimos com dentes de pérolas, sem nem nos dar conta de que lambemos as ossadas de nossos adubos humanos.